Atividade sobre a Revolução Pernambucana de 1817, um dos episódios mais fascinantes e radicais da história do Brasil, com este material completo para professores e estudantes de História. Enquanto a Corte de D. João VI vivia no luxo do Rio de Janeiro, o Nordeste brasileiro enfrentava uma grave crise econômica. Este atividade é a ferramenta ideal para aprofundar o pensamento crítico sobre as desigualdades regionais e o processo de emancipação política do Brasil. Gabarito e Plano de Aula no final da página. 

Revolução Pernambucana - 1817

A chegada da Família Real ao Rio de Janeiro em 1808 trouxe modernização para o centro-sul, mas custou muito caro para o resto do Brasil. Para sustentar o luxo da corte, D. João VI criou e aumentou diversos impostos em todas as províncias. Em Pernambuco, a situação era insustentável. A província, que já fora a mais rica da colônia, enfrentava a forte concorrência internacional que derrubou os preços de suas principais exportações: o açúcar e o algodão. Para agravar o cenário, uma severa seca atingiu o Nordeste em 1816, causando fome e miséria na população. A insatisfação cresceu, gerando um forte sentimento antilusitano (ódio aos portugueses), já que os militares e comerciantes reinóis monopolizavam os melhores cargos e os lucros locais, enquanto os brasileiros arcavam com o peso da crise e dos impostos reais.

A República Provisória e a Repressão

Inspirados pelas ideias do Iluminismo e pela Independência dos EUA, membros da elite agrária, comerciantes, militares e muitos padres começaram a conspirar. Em 6 de março de 1817, a revolução estourou. Os rebeldes tomaram o poder no Recife e proclamaram uma República. Formaram um governo provisório que instituiu a liberdade de imprensa, a tolerância religiosa e aboliu impostos abusivos. Chegaram a criar uma nova bandeira, que é a base da atual bandeira do estado de Pernambuco. Contudo, o movimento teve limites claros: para não desagradar aos grandes fazendeiros, a escravidão foi mantida. A resposta de D. João VI foi brutal. Tropas por terra e navios pelo mar cercaram Pernambuco. Após cerca de 74 dias de governo independente, os rebeldes foram derrotados e seus principais líderes (como Domingos José Martins e vários padres) foram presos e executados.

1)
Bandeira da Revolução de 1817:

A bandeira criada durante a Revolução de 1817 rompeu com os símbolos monárquicos portugueses e adotou novos emblemas. Explique o significado da "Cruz" e das "Estrelas" neste pavilhão revolucionário e o que ele simboliza hoje.

2)
Qual foi a principal causa econômica que gerou grande insatisfação em Pernambuco e motivou a Revolução de 1817?

A) A descoberta de grandes minas de ouro na província.

B) A proibição do tráfico negreiro imposta pelos ingleses.

C) O aumento de impostos para bancar a corte no Rio.

D) A transferência da capital de Recife para Salvador.

3)
Repressão da coroa portuguesa contra os revoltos:A forte repressão da Coroa marcou o fim da Revolução Pernambucana em maio de 1817. Discorra sobre por que a Coroa Portuguesa agiu com tamanha violência contra os líderes do movimento, diferenciando este levante de outras revoltas.
4)
A Revolução Pernambucana de 1817 sofreu forte influência de correntes políticas e filosóficas externas. A principal delas foi o:

A) Iluminismo e os ideais republicanos liberais.

B) Socialismo e a luta operária contra as fábricas.

C) Absolutismo monárquico de origem francesa.

D) Mercantilismo focado no acúmulo de metais.

5)
Um diferencial marcante da Revolução de 1817 em relação a outros movimentos coloniais (como a Inconfidência Mineira) foi que os pernambucanos:

A) Exigiram a volta imediata da Família Real a Portugal.

B) Formaram aliança militar com os escravizados africanos.

C) Chegaram efetivamente a tomar o poder e instalar um governo.

D) Defenderam a continuidade do sistema político monárquico.

6)
A forma de governo adotada pelos revolucionários pernambucanos logo após a tomada do poder em março de 1817 foi a:

A) Monarquia Constitucional.

B) República Provisória.

C) Ditadura Militar.

D) Monarquia Parlamentarista.

7)
Apesar de adotar medidas liberais, como a liberdade de imprensa, o governo provisório de 1817 apresentou uma grande contradição social. Qual foi essa contradição?

A) A manutenção da escravidão para não afastar a elite agrária.

B) A proibição do funcionamento de igrejas em toda a província.

C) A exclusão das mulheres de todas as escolas públicas recém-criadas.

D) A devolução de todas as terras produtivas aos povos indígenas.

8)
Devido à intensa participação de membros da Igreja Católica na liderança e na disseminação dos ideais do movimento, a Revolução de 1817 também ficou conhecida como a:

A) Revolta do Clero Regular.

B) Insurreição dos Bispos.

C) Revolução dos Puritanos.

D) Revolução dos Padres.

9)
Além dos altos impostos, qual fenômeno natural agravou a crise econômica e a fome no Nordeste às vésperas da revolução?

A) As enchentes que destruíram Recife.

B) A grande seca que atingiu a região em 1816.

C) Os terremotos que arrasaram as lavouras.

D) A praga de gafanhotos nos canaviais locais.

10)
Julgue as afirmações sobre as ações e o fim da Revolução:

( ) Os revolucionários conseguiram manter o governo independente por mais de cinco anos.
( ) A tolerância religiosa foi uma das medidas estabelecidas pelo governo provisório pernambucano.
( ) Vários padres e líderes políticos foram enforcados ou arcabuzados após a repressão joanina.
( ) A Inglaterra interveio militarmente para garantir a vitória dos revolucionários nordestinos.

A sequência correta é:

A) V – V – F – F

B) V – F – V – V

C) F – V – V – F

D) F – F – V – V

11)
Qual foi a reação do Rei D. João VI ao ser informado sobre a proclamação da República em Pernambuco?

A) Enviou diplomatas para negociar pacificamente a autonomia local.

B) Renunciou ao trono brasileiro e transferiu o poder a seu filho Pedro.

C) Organizou forte repressão militar que derrotou e executou líderes.

D) Aceitou a independência e assinou um tratado comercial favorável.

12)
Os rebeldes pernambucanos desenharam uma bandeira (que hoje é a bandeira do Estado). O que representavam, principalmente, os ideais daquele novo estandarte?

A) A submissão eterna ao Império Português e ao rei.

B) A união militar exclusiva com os Estados Unidos da América.

C) O desejo de formar um império liderado apenas pela Igreja.

D) A tolerância, a nova república e a esperança no futuro.

13)
Sobre o contexto da Revolução Pernambucana de 1817, analise as proposições:

I. O sentimento antilusitano cresceu porque os portugueses ocupavam os melhores postos militares e comerciais.
II. A concorrência internacional causou a queda vertiginosa nos preços do açúcar e do algodão pernambucano.
III. O Rio de Janeiro financiou a modernização de Pernambuco para evitar a revolta, mas a tentativa falhou.
IV. O movimento foi restrito à camada mais pobre, sem apoio da elite agrária local.

As afirmações corretas são:

A) I, II e IV.

B) I e II.

C) II e III.

D) Todas estão corretas.

Questão 1:
A cruz representava a forte religiosidade católica do povo pernambucano e a intensa participação do clero na revolução (a Revolução dos Padres). A estrela original simbolizava a província de Pernambuco despontando como uma nação independente (outras estrelas seriam adicionadas se outras províncias aderissem). Hoje, o estandarte é a bandeira oficial do Estado de Pernambuco simbolizando o pioneirismo e o orgulho libertário do povo local.

Questão 2: C

Questão 3:
A Coroa agiu com extrema violência (prisões, enforcamentos, arcabuzamentos e esquartejamentos) porque a Revolução de 1817 representou a maior e mais real ameaça ao Império Português até então. Diferente da Inconfidência Mineira ou da Conjuração Baiana, que não passaram da fase de conspiração, os pernambucanos efetivamente pegaram em armas, depuseram o governador real, tomaram o poder e implantaram uma República por 74 dias. A punição exemplar visava aterrorizar a população para evitar que outras províncias tentassem o mesmo caminho de fragmentação do território.

Questão 4: A

Questão 5: C

Questão 6: B

Questão 7: A

Questão 8: D

Questão 9: B

Questão 10: C

Questão 11: C

Questão 12: D

Questão 13: B

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Revolução Pernambucana de 1817

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 8º Ano do Ensino Fundamental.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF08HI11: Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de resistência e nos movimentos separatistas no Brasil (focando em 1817).

  • EF08HI12: Justificar a organização política e a dinâmica do Império no Brasil, relacionando-a com as rebeliões provinciais e o centralismo político.

3. Objetivos

  • Compreender as causas econômicas (seca, crise açucareira) e políticas (impostos da Corte) do movimento.

  • Analisar a heterogeneidade dos participantes (A "Revolução dos Padres").

  • Reconhecer o ineditismo da tomada do poder e da proclamação da República.

  • Debater as contradições do pensamento liberal da época (a manutenção da escravidão).

4. Metodologia

  • Aula 1 (Causas e Tomada do Poder): Retomar a aula anterior sobre a Corte no Rio de Janeiro. Perguntar à turma: "Quem estava pagando a conta do luxo da realeza?". Explicar o contexto nordestino e a explosão de 6 de março. Mostrar a bandeira de Pernambuco (Questão 13) e destrinchar seus significados.

  • Aula 2 (A República, a Contradição e a Queda): Debater com os alunos por que revolucionários que liam autores iluministas franceses decidiram manter a escravidão (a força da elite agrária). Apresentar a violenta repressão de D. João VI. Resolução guiada do banco de 15 questões estruturadas.

5. Avaliação

  • A avaliação será pautada na capacidade de argumentação dos alunos durante o debate sobre os limites do liberalismo no Brasil escravista e confirmada mediante o acerto e a compreensão leitora demonstrada nas questões discursivas e objetivas propostas.