Atividade sobre a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates,  um dos levantes mais radicais e fascinantes do Brasil Colônia: a Conjuração Baiana de 1798. Esta conspiração se diferenciou de todos os outros movimentos emancipacionistas do século XVIII por seu caráter essencialmente popular e por suas demandas revolucionárias. Essa atividade traz um simulado com questões inéditas , interpretação de textos e imagens — com alternativas de tamanhos rigorosamente equilibrados para testar o real conhecimento. Plano de Aula e Gabarito no final da página. 

Conjuração Baiana

A transferência da capital do Estado do Brasil para o Rio de Janeiro (1763) representou um golpe duro na economia de Salvador. Sem os privilégios da sede do governo, a Bahia entrou em decadência urbana. Os grandes proprietários de terra (senhores de engenho) focaram todas as suas energias na exportação de açúcar, abandonando o plantio de itens básicos como a mandioca. O resultado foi a escassez extrema de alimentos e uma inflação que levou artesãos, escravizados, negros livres e soldados rasos à fome. Nesse clima de desespero, uma sociedade secreta chamada Cavaleiros da Luz começou a debater as ideias do Iluminismo francês. No entanto, para as classes populares, a maior inspiração não vinha apenas dos livros, mas de fatos reais: a ousadia dos jacobinos na França e o sucesso da Revolução do Haiti, onde escravizados derrotaram seus senhores e tomaram o poder.

Revolta dos Alfaiates

Em 12 de agosto de 1798, Salvador amanheceu coberta por panfletos manuscritos afixados nas portas das igrejas. Os chamados "Boletins Sediciosos" conclamavam o povo à revolução: pediam a instalação de uma República Republicana, o fim do domínio de Portugal, o aumento do soldo (salário) dos militares e a abolição da escravidão. A ampla participação de trabalhadores manuais deu ao movimento o apelido de Revolta dos Alfaiates. Assustados com o radicalismo negro e popular, os membros da elite intelectual que inicialmente apoiavam o levante fugiram ou delataram os conspiradores. A Coroa Portuguesa agiu com rapidez e extrema seletividade racial e social. Os membros brancos e ricos (como Cipriano Barata) foram absolvidos ou receberam penas muito leves. Em contraste cruel, os quatro líderes populares — os alfaiates João de Deus e Manuel Faustino, e os soldados Lucas Dantas e Luís Gonzaga (todos negros ou pardos) — foram condenados à forca e brutalmente esquartejados em praça pública.

1)
Representação gráfica do Porto de Salvador no século XVIII, mostrando o declínio da estrutura portuária e a miséria da população urbana local:Observando a degradação urbana que sucedeu a perda do status de capital da colônia em 1763, explique como a crise econômica em Salvador criou o ambiente perfeito para que as camadas mais pobres aderissem à Conjuração Baiana de 1798.
2)
Qual fator econômico interno contribuiu diretamente para a escassez, a fome e a alta inflação em Salvador às vésperas da conjuração?

A) O foco exclusivo na exportação do açúcar e a redução drástica do plantio de alimentos básicos.

B) A completa destruição das lavouras locais por pragas naturais e inundações no recôncavo baiano.

C) O imediato bloqueio naval inglês que impediu a chegada de suprimentos essenciais ao porto baiano.

D) A proibição decretada por Portugal da pesca e da caça em todos os territórios da capitania baiana.

3)
Pintura que retrata a Revolução Haitiana, mostrando escravizados negros lutando com armas, derrubando e vencendo tropas europeias e donos de plantação:A Revolução Haitiana (1791-1804) causou o fenômeno conhecido como "Haitianismo" entre as elites escravocratas de toda a América. Explique o que era esse temor e por que ele fez com que a elite intelectual abandonasse a Conjuração Baiana.
4)
Diferente de outras conjurações coloniais, a Revolta dos Alfaiates (1798) inspirou-se fortemente em dois movimentos internacionais radicais, que foram:

A) A Revolução Gloriosa na Inglaterra e a independência política das Treze Colônias na América do Norte.

B) A Revolução Industrial britânica e o longo processo de unificação dos estados germânicos na Europa.

C) A fase jacobina da Revolução Francesa e a vitoriosa revolução de escravizados ocorrida na ilha do Haiti.

D) A Guerra dos Sete Anos na Europa Central e a implantação do despotismo esclarecido em Portugal e Espanha.

5)
Qual foi a exigência social pioneira da Conjuração Baiana que a diferenciou profundamente da Inconfidência Mineira ocorrida anos antes?

A) Exigiu de maneira pioneira e radical o fim da escravidão e a igualdade racial entre todos os cidadãos.

B) Defendeu a continuidade do pacto colonial desde que os altos impostos sobre o ouro fossem eliminados.

C) Restringiu-se a debater as velhas ideias iluministas em salões fechados, sem pretensões de tomar o poder.

D) Conseguiu o forte apoio militar da Inglaterra para expulsar os governantes portugueses de forma pacífica.

6)
Para driblar a repressão inicial e convocar a população urbana para o movimento, os líderes baianos utilizaram qual método de propaganda?

A) A publicação diária de textos subversivos em jornais financiados diretamente pela elite agrária colonial.

B) A fixação de panfletos sediciosos manuscritos e anônimos nas portas das igrejas baianas de madrugada.

C) A ajuda direta de oradores estrangeiros que discursavam livremente nos grandes navios ancorados no porto.

D) A distribuição de cartilhas impressas na Europa que circulavam ilegalmente em todas as escolas da cidade.

7)
Além do fim do trabalho escravo e da independência, qual era a forma de governo proposta pelos documentos dos conjurados baianos?

A) A manutenção do sistema monárquico absolutista, substituindo apenas a figura do rei por um nobre brasileiro.

B) A criação de leis que garantissem a superioridade política exclusiva dos grandes fazendeiros no parlamento.

C) A devolução de todas as propriedades rurais da capitania para as antigas comunidades indígenas e quilombolas.

D) A instauração de uma República democrática, com livre comércio e aumento do soldo (salário) dos militares.

8)
A Sociedade Secreta que funcionou como um dos principais centros de difusão das ideias filosóficas iluministas na Bahia de 1798 era:

A) A irmandade religiosa dos Homens Pardos.

B) O grêmio estudantil da Universidade da Bahia.

C) A sociedade maçônica dos Cavaleiros da Luz.

D) O agrupamento militar dos Soldados da Coroa.

9)
A Conjuração Baiana sofreu forte retaliação antes mesmo de ir às ruas com armas. Como a Justiça da Coroa Portuguesa tratou os réus julgados?

A) Absolveu integralmente a todos os envolvidos, considerando que o movimento político não utilizou a força.

B) Puniu com a morte os líderes negros e populares, mas aplicou penas muito brandas aos intelectuais ricos.

C) Enforcou exclusivamente os senhores de engenho, poupando os escravizados e os trabalhadores urbanos pobres.

D) Transferiu todos os habitantes de Salvador para prisões em Portugal e confiscou os seus bens mais valiosos.

10)
João de Deus, Manuel Faustino, Lucas Dantas e Luís Gonzaga entraram para a história do Brasil colonial por serem:

A) Os governadores portugueses responsáveis por reprimir duramente a revolta e restabelecer a paz em Salvador.

B) Os quatro líderes negros e populares da Conjuração Baiana que foram enforcados e esquartejados pela Coroa.

C) Os grandes fazendeiros que abandonaram o movimento quando descobriram as pautas antiescravistas da revolta.

D) Os enviados especiais do governo francês que trouxeram secretamente armas de fogo e pólvora para a Bahia.

11)
O receio de que o Brasil se transformasse em "um novo Haiti" causou qual impacto imediato no andamento da Conjuração Baiana?

A) Levou os escravizados baianos a desistirem pacificamente de lutar pelos seus direitos de plena cidadania política.

B) Obrigou a Coroa Portuguesa a decretar o fim da escravidão para evitar que o sangrento cenário caribenho se repetisse.

C) Fez com que a elite branca e rica abandonasse o movimento, deixando as camadas populares lutarem isoladamente.

D) Motivou a França a enviar exércitos para proteger as elites baianas e garantir a continuidade da escravidão no local.

12)
Sobre a composição e os impactos da Conjuração Baiana, analise as proposições:

I. O movimento uniu, no início, membros da elite letrada e trabalhadores das camadas mais pobres de Salvador.
II. A Revolta dos Alfaiates foi o primeiro movimento colonial a conseguir depor o governo monárquico por 10 anos.
III. O descontentamento dos militares de baixa patente estava ligado ao atraso e ao baixíssimo valor dos seus salários.
IV. Os panfletos sediciosos defendiam que apenas os brancos teriam direito a voto na nova república implantada.

As afirmações corretas são:

A) I e II.

B) II e III.

C) III e IV.

D) I e III.

13)
Julgue as afirmações V para Verdadeiras e F para Falsas. Sobre a repressão à Inconfidência Mineira e à Conjuração Baiana:


(         ) Ambas as revoltas foram punidas exatamente com o mesmo rigor, sem qualquer distinção de classe social ou raça.
(         ) Na Inconfidência Mineira, apenas Tiradentes (o mais pobre entre os líderes) foi enforcado e esquartejado pela Coroa.
(         ) Na Conjuração Baiana, a força da repressão recaiu sobre quatro homens negros, enquanto a elite intelectual foi poupada.
(         ) A Coroa Portuguesa utilizava o esquartejamento e a exposição dos corpos como forma de espalhar o terror na população.

A sequência correta é:

A) V – F – V – F

B) F – F – V – V

C) F – V – V – V

D) V – V – F – F

14)
Relacione o termo ao seu papel fundamental no contexto da Bahia em 1798:

(A) Boletins Sediciosos
(B) Cavaleiros da Luz
(C) Açúcar
(D) Revolução Haitiana

(         ) Inspiração radical que aterrorizou a elite branca pelo sucesso da revolta negra armada.
(         ) Sociedade secreta responsável por debater e difundir os ideais iluministas franceses.
(         ) Panfletos manuscritos utilizados para propaganda e convocação popular nas igrejas.
(         ) Principal produto de exportação cujo cultivo excessivo gerou a falta de comida local.

A sequência correta é:

A) A – B – C – D

B) D – B – A – C

C) C – D – B – A

D) B – A – D – C

Questão 1:
A transferência da capital para o Rio de Janeiro retirou de Salvador grande parte da circulação de riquezas, funcionários públicos e investimentos. Aliado a isso, o foco dos fazendeiros apenas no açúcar causou grave escassez de alimentos básicos (como mandioca e feijão). A fome, os preços abusivos (inflação) e a miséria afetaram severamente os artesãos, os escravizados e os militares de baixa patente. Essa situação desesperadora de sobrevivência empurrou as camadas populares para a radicalização política e para a adesão massiva às ideias da Conjuração.

Questão 2: A

Questão 3:
O "Haitianismo" era o pânico generalizado entre os fazendeiros e proprietários brancos de que uma rebelião semelhante à do Haiti ocorresse em suas terras, resultando no massacre da elite e na perda total do controle social e econômico. Quando a elite intelectual baiana (que queria apenas o livre comércio e menos impostos) percebeu que as classes populares e os negros haviam assumido o protagonismo do movimento baiano e exigiam o fim da escravidão, o pânico se instalou. Temendo perder suas vidas e suas posses, a elite abandonou rapidamente a revolução e, em muitos casos, colaborou com as autoridades lusas para delatar os mais pobres.

Questão 4: C

Questão 5: A

Questão 6: B

Questão 7: D

Questão 8: C

Questão 9: B

Questão 10: B

Questão 11: C

Questão 12: D

Questão 13: C

Questão 14: B

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Conjuração Baiana – Raça, Classe e Liberdade
1. Identificação
Componente Curricular: História.

Séries Aplicáveis: 8º Ano do Ensino Fundamental.

Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC
EF08HI11: Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de resistência e nos movimentos separatistas no Brasil, focando na classe popular urbana.

EF08HI04: Identificar e relacionar os processos da Revolução Francesa e seus desdobramentos na América (Iluminismo, Jacobinismo e Revolução Haitiana).

3. Objetivos
Analisar os fatores econômicos (fome e inflação) que engatilharam a revolta em Salvador.

Compreender o ineditismo da pauta abolicionista e igualitária no final do século XVIII.

Avaliar a influência do Haiti no imaginário das camadas populares e da elite branca.

Discutir a seletividade e o preconceito racial na aplicação das punições.

4. Metodologia
Aula 1 (O Cenário e a Propaganda): Iniciar a aula descrevendo a fome em Salvador (Questão 13). Explicar como a informação circulava (os panfletos nas portas das igrejas). Abordar a radicalidade de se pedir o fim da escravidão naquela época, mostrando a imagem do levante no Haiti (Questão 14) para ilustrar o medo da elite ("Haitianismo").

Aula 2 (Justiça e Memória): Explicar como a Coroa descobriu o plano e julgou os réus. Focar na análise do monumento aos quatro heróis negros enforcados (Questão 15). Promover um debate: "A balança da justiça pesava igual para todos na colônia?". Resolução e correção detalhada do banco de 15 questões estruturadas, analisando por que as alternativas incorretas estão erradas.

5. Avaliação
Acompanhamento da argumentação dos alunos sobre os conceitos de racismo estrutural e privilégios de classe no Brasil colonial, e aferição de aprendizagem através da resolução individual do conjunto completo de questões (objetivas e discursivas).

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História