Questões sobre o Governo Costa e Silva (1967-1969), o auge da “Linha Dura”, os protestos da Passeata dos Cem Mil e a violenta decretação do AI-5. Preparamos uma excelente atividade de História em PDF, totalmente alinhada à BNCC e formatada em layout limpo para imprimir com facilidade. Com exercícios focados no recrudescimento do regime e na supressão de direitos políticos, este material otimiza o seu planejamento escolar e engaja os alunos. A lista de questões conta com um gabarito completo incluso no final da página para facilitar e acelerar a avaliação do professor. Imprima este conteúdo indispensável e eleve o nível das suas avaliações em sala. Baixe a Atividade em PDF, o Gabarito está no final da página. 

Governo Costa e Silva (1967-1969)

O ano de 1968 entrou para a história mundial e nacional como um período de intensa contestação juvenil, artística e política. No Brasil, o governo de Costa e Silva enfrentou uma oposição cada vez mais organizada. Estudantes, intelectuais, operários e setores da Igreja Católica uniram-se contra o autoritarismo do regime. A morte do estudante Edson Luís por policiais militares no Rio de Janeiro, em março de 1968, serviu como o estopim para uma onda gigantesca de protestos populares em todo o país. O ápice dessa mobilização civil ocorreu em junho de 1968 com a realização da Passeata dos Cem Mil no centro do Rio de Janeiro, reunindo estudantes, artistas (como Chico Buarque e Caetano Veloso) e a população em geral. Paralelamente, o descontentamento com a falta de liberdades levou setores da esquerda a optarem pela luta armada, organizando guerrilhas urbanas para assaltar bancos e sequestrar diplomatas estrangeiros. Pressionada por esse cenário de forte agitação, a "linha dura" militar exigia uma resposta implacável do presidente.

Endurecimento do Regime

A reação do governo e dos militares não tardou. Em dezembro de 1968, utilizando como pretexto um discurso oposicionista do deputado Márcio Moreira Alves que ofendia as Forças Armadas, o presidente Costa e Silva exigiu que o Congresso cassasse a imunidade parlamentar do colega. Quando a Câmara dos Deputados negou o pedido, o governo decretou, em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5 (AI-5).  O AI-5 foi o instrumento jurídico mais violento da ditadura. Ele conferia ao Presidente da República poderes absolutos: o direito de fechar o Congresso Nacional e as assembleias legislativas, intervir nos estados e municípios, cassar mandatos políticos, suspender direitos civis e decretar a cassação do habeas corpus em casos de crimes políticos. Na prática, o AI-5 institucionalizou a censura prévia à imprensa, músicas, livros e peças de teatro, além de legalizar a tortura sistemática nos porões dos órgãos de segurança. Poucos meses depois, em agosto de 1969, Costa e Silva sofreu um derrame cerebral, sendo afastado do poder e deixando o país sob o comando de uma Junta Militar.

1)
A Passeata dos Cem Mil foi o ápice da mobilização civil durante o governo Costa e Silva. Explique quais eram os principais grupos sociais que compunham essa marcha e de que maneira a forte reação dos estudantes e artistas pressionou a "linha dura" militar a adotar medidas ainda mais repressivas.
2)
O governo do General Costa e Silva (1967-1969) diferenciou-se da gestão anterior por ser fortemente influenciado pela:

A) Corrente militar moderada que defendia a entrega imediata do poder aos civis.

B) Facção da "linha dura", que exigia endurecimento na repressão e controle total.

C) Ala liberal da economia que recusava qualquer tipo de obra estatal de grande porte.

D) Corrente internacionalista alinhada diretamente aos blocos socialistas da Europa.

3)
A censura prévia à imprensa foi uma das marcas mais perversas institucionalizadas pelo AI-5. Explique como funcionava a censura nos jornais diários e como espaços vazios servia como forma sutil de denúncia e resistência contra o regime.
4)
Imagem retratando a opção pela luta armada urbana e o surgimento das guerrilhas contra a ditadura:Discorra sobre os motivos que levaram parte da esquerda a essa radicalização e avalie qual foi a consequência dessa escolha estratégica frente à força do aparato repressivo do Estado.
5)
A morte do estudante Edson Luís em março de 1968, durante um confronto com a polícia no Rio de Janeiro, gerou como consequência imediata:

A) A renúncia pacífica do presidente Costa e Silva e a convocação de eleições diretas.

B) A aprovação unânime de uma nova constituição democrática pelo congresso nacional.

C) Uma onda gigantesca de protestos populares e revolta generalizada em todo o país.

D) O fechamento definitivo de todas as universidades federais por um período de dez anos.

6)
A manifestação pública conhecida como a "Passeata dos Cem Mil", ocorrida no Rio de Janeiro em junho de 1968, destacou-se por reunir:

A) Apenas os grandes empresários industriais exigindo isenção de impostos federais.

B) Exclusivamente os militares da reserva protestando contra os baixos salários da tropa.

C) Líderes religiosos estrangeiros apoiando as medidas econômicas do ministro Delfim Netto.

D) Estudantes, artistas, intelectuais e cidadãos comuns unidos contra a ditadura.

7)
O estopim político utilizado pelo governo para decretar o AI-5 em dezembro de 1968 esteve diretamente relacionado a:

A) A recusa do Congresso em cassar o deputado Márcio Moreira Alves após um discurso crítico.

B) Um atentado à bomba realizado contra o Palácio do Planalto por grupos operários locais.

C) A falência generalizada do sistema financeiro nacional provocada pela inflação descontrolada.

D) Um plano secreto de invasão militar arquitetado pelas repúblicas comunistas vizinhas.

8)
O Ato Institucional nº 5 (AI-5), assinado em 13 de dezembro de 1968, conferiu ao Presidente da República o poder legal de:

A) Privatizar imediatamente todas as empresas estatais de energia e transporte ferroviário.

B) Fechar o Congresso Nacional, suspender o habeas corpus e decretar a censura prévia.

C) Conceder total autonomia administrativa e financeira aos governadores de oposição ao regime.

D) Convocar referendos populares obrigatórios para aprovar qualquer lei orçamentária anual.

9)
Com a vigência do AI-5, a imprensa e os meios artísticos brasileiros sofreram um controle implacável através de:

A) Órgãos de censura prévia do Estado, que cortavam músicas, peças e reportagens.

B) Campanhas de conscientização cívica promovidas por comitês estudantis autorizados.

C) Leis de mercado que impediam a venda de jornais que não fossem impressos em Brasília.

D) Acordos internacionais que proibiam a exibição de filmes estrangeiros nos cinemas locais.

10)
A intensificação da repressão política a partir de 1968 levou setores minoritários da oposição de esquerda a adotarem uma tática radical, que consistia em:

A) Participar das eleições fraudadas do bipartidarismo para tentar mudar as leis por dentro.

B) Financiar campanhas de desobediência civil pacífica inspiradas na Índia e em Martin Luther King.

C) Organizar a luta armada urbana e rural, com guerrilhas, assaltos e sequestros de diplomatas.

D) Solicitar asilo político em massa para os governos democráticos da Europa ocidental.

11)
Na área econômica, o governo de Costa e Silva foi marcado pela continuidade da gestão de Delfim Netto, que surfava na fase inicial de expansão do chamado:

A) Plano de Metas de industrialização pesada por substituição de importações.

B) Plano de Ação Econômica do Governo voltado ao arrocho salarial puro.

C) Período de estagnação total, com hiperinflação e desemprego recorde nas grandes cidades.

D) "Milagre Econômico", período de alta no PIB e forte entrada de capitais externos.

12)
O governo do General Costa e Silva foi interrompido de forma inesperada em agosto de 1969 devido a:

A) Um grave problema de saúde (derrame cerebral) que o afastou definitivamente do poder.

B) A deposição sumária organizada pela Junta Militar após uma greve operária geral.

C) Uma renúncia voluntária motivada por divergências com o Congresso Nacional.

D) Um golpe desferido pelos marinheiros rebelados no litoral do Rio de Janeiro.

13)
Julgue as afirmações Verdadeiras (V) e Falsas (F), sobre a radicalização e a reação do Estado no período:

(                       ) A guerrilha urbana realizou ações de alto impacto, como o sequestro de embaixadores estrangeiros em troca de presos políticos.
(                       ) O Congresso Nacional aplaudiu de pé a decretação do AI-5, votando a favor de sua perpetuação vitalícia.
(                       ) O falecimento do estudante Edson Luís tornou-se um símbolo da resistência e uniu diferentes setores da sociedade civil.
(                       ) Com o afastamento de Costa e Silva em 1969, o poder executivo foi entregue temporariamente a uma Junta Militar.
As sequência correta é:

A) V – V – V – F

B) V – F – V – V

C) F – V – F – V

D) V – F – V – F

14)
Sobre o contexto político e os desdobramentos de 1968, analise as proposições:

I. O movimento estudantil brasileiro de 1968 teve forte articulação com sindicatos de operários em greve.
II. O AI-5 garantiu total independência ao Poder Judiciário para julgar abusos cometidos pelos militares.
III. A censura imposta pelo regime atingiu jornais, impedindo notícias sobre corrupção e tortura.
IV. Costa e Silva liderou a ala moderada do exército que defendia a abertura democrática imediata.

As afirmações corretas são:

A) I e II.

B) III e IV.

C) II e IV.

D) I e III.

15)
Relacione os fatos e conceitos do governo Costa e Silva às suas descrições corretas:

(A) Edson Luís
(B) Passeata dos Cem Mil
(C) AI-5
(D) Junta Militar

(                       ) Estudante morto por policiais militares no Rio de Janeiro, gerando forte comoção nacional.
(                       ) Instrumento de exceção que fechou o congresso e institucionalizou a censura prévia.
(                       ) Grupo de ministros militares que assumiu o poder após o derrame cerebral de Costa e Silva.
(                       ) Gigantesca manifestação pública de protesto contra a ditadura ocorrida em junho de 1968.

As sequência correta é:

A) A – C – D – B

B) A – D – C – B

C) C – B – D – A

D) D – A – C – B

Questão 1:

A Passeata dos Cem Mil foi um marco porque uniu diversos setores da sociedade civil que até então agiam isolados: estudantes universitários, intelectuais, artistas renomados (como compositores da MPB), jornalistas e até mesmo setores da classe média tradicional e da Igreja Católica. Essa imensa demonstração de rejeição popular ao regime e de exigência pelo fim da censura e da violência policial aterrorizou os generais da "linha dura". Para eles, a tolerância aos protestos demonstrava fraqueza; assim, a pressão gerada por essa mobilização em massa serviu de pretexto definitivo para que a cúpula militar respondesse com a máxima força, resultando na decretação do AI-5 meses depois.

Questão 2: B

Questão 3:

A censura prévia funcionava com a presença física de censores federais dentro das redações dos jornais, que liam e vetavam previamente qualquer reportagem, editorial ou charge crítica ao governo, à moral ou à segurança nacional. Quando um artigo era proibido de última hora, o jornal ficava com um "buraco" na página. Para driblar o silêncio imposto e alertar o público de forma sutil sobre a tirania da censura, os editores preenchiam esses espaços em branco com versos de poemas clássicos (como os de Luís de Camões) ou com receitas de bolos e pratos culinários. Isso denunciava o absurdo de se viver em um país onde notícias de interesse público eram proibidas, mas receitas de cozinha eram liberadas.

Questão 4:

A opção pela luta armada por parte de organizações guerrilhenses (como a ALN e o MR-8) foi motivada pela constrição total dos canais democráticos: com o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos, a proibição de greves e a violência policial contra manifestações pacíficas, concluiu-se que a derrubada da ditadura não ocorreria por vias legais ou pacíficas, mas apenas pela força militar. Contudo, essa estratégia revelou-se um erro de cálculo trágico em termos de correlação de forças: o Estado brasileiro possuía um aparato repressivo infinitamente superior, financiado e treinado na Doutrina de Segurança Nacional. A guerrilha urbana foi implacavelmente caçada, resultando na morte, prisão, tortura e desaparecimento da grande maioria de seus militantes e justificando ainda mais o endurecimento policial do regime.

Questão 5: C

Questão 6: D

Questão 7: A

Questão 8: B

Questão 9: A

Questão 10: C

Questão 11: D

Questão 12: A

Questão 13: B

Questão 14: D

Questão 15: A

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: O Governo Costa e Silva e o Endurecimento do Regime (1968-1969)

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 9º Ano do Ensino Fundamental e 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF09HI19 (Ensino Fundamental - 9º Ano): Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça.

  • EM13CHS602 (Ensino Médio - 3ª Série): Identificar e caracterizar a presença do autoritarismo na política brasileira, relacionando-os com as supressões de liberdades civis (AI-5).

  • EM13CHS603 (Ensino Médio - 3ª Série): Analisar a formação de experiências políticas aplicando conceitos básicos (resistência civil, censura prévia, luta armada, atos institucionais).

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Compreender a efervescência cultural e política do ano de 1968 (protestos estudantis e a Passeata dos Cem Mil).

  • Analisar os antecedentes e o teor autoritário do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

  • Discutir as consequências da censura prévia na imprensa e as formas criativas de resistência civil.

  • Avaliar criticamente a opção pela luta armada e a resposta repressiva do Estado.

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (O Ano de 1968 e as Ruas): Iniciar perguntando: "O que leva jovens de 17 anos a irem para as ruas protestar contra um governo?". Explicar o contexto global e nacional de 1968. Mostrar a imagem da Passeata dos Cem Mil (Questão 13). Discutir o impacto da morte de Edson Luís e a união entre estudantes e artistas.

  • Aula 2 (O AI-5 e a Censura): Explicar como a pressão da "linha dura" levou ao dia 13 de dezembro de 1968. Analisar os poderes absolutos concedidos pelo AI-5. Exibir recortes de jornais censurados com receitas culinárias (Questão 14). Debater o dilema da luta armada (Questão 15). Aplicação supervisionada do banco de 15 questões estruturadas, focando na leitura atenta das alternativas padronizadas.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação dos alunos durante os debates sobre os limites da resistência pacífica versus a luta armada em um regime de exceção. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução rigorosa do simulado de múltipla escolha e da argumentação histórica redigida nas três questões discursivas baseadas em análise imagética.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História