Essa atividade de história sobre as Capitanias Hereditárias e Sesmarias detalha como um modelo administrativo que delegou a particulares a responsabilidade pelo povoamento e defesa de faixas litorâneas, baseando-se no sistema de doação de terras conhecido como Sesmarias. Analisamos os motivos que levaram ao fracasso da maioria dessas capitanias — a falta de recursos, a distância da metrópole e os conflitos com povos indígenas — e o sucesso excepcional de regiões como Pernambuco e São Vicente.  A atividade explora a transição para o Governo-Geral. Baixe a Atividade em PDF e confira o Gabarito no final da página. 

Capitanias Hereditárias e as Sesmarias

Após três décadas de desinteresse pelo Brasil, a Coroa Portuguesa, ameaçada por expedições francesas, decidiu implementar um sistema que não custasse caro ao Tesouro Real. Em 1534, D. João III instituiu as Capitanias Hereditárias. O território foi dividido em 15 faixas, doadas a 12 nobres (donatários). Os donatários recebiam dois documentos: a Carta de Doação (posse da terra) e o Foral (direitos e deveres). O sistema baseava-se nas Sesmarias, vastas glebas de terra concedidas aos donatários para que fossem cultivadas e defendidas. O objetivo era claro: transferir para particulares o custo da colonização, da administração e da proteção das terras em troca de lucros gerados pela exploração do solo. Contudo, a falta de capital, a má comunicação e a resistência indígena levaram quase todas as capitanias ao fracasso.

Governo-Geral

Diante do fracasso de grande parte das capitanias, a Coroa percebeu a necessidade de centralizar o poder. Em 1548, foi criado o Governo-Geral, com a primeira sede em Salvador. O Governador-Geral representava o Rei e tinha poderes para coordenar a defesa da colônia e mediar os conflitos com os capitães-donatários. Ao seu lado, atuavam o Ouvidor-Mor (Justiça), o Provedor-Mor (Finanças) e o Capitão-Mor (Defesa). Apesar da centralização, as capitanias não foram extintas, mas passaram a ser supervisionadas pelo representante da Coroa. Esse modelo administrativo buscava garantir a unidade do projeto colonial português, assegurando que o Brasil não fosse fragmentado ou perdido para as potências estrangeiras que cobiçavam nossas riquezas, especialmente o pau-brasil e, posteriormente, a cana-de-açúcar.

1)
Mapa do Brasil colonial com as Capitanias Hereditárias:Observe o mapa e as linhas que separam as capitanias. Explique por que a divisão em faixas horizontais saindo do litoral em direção ao interior reflete o modelo de colonização "voltado para o mar" adotado por Portugal.
2)
Qual foi o principal motivo que levou a Coroa Portuguesa a abandonar o desinteresse inicial pelo Brasil e iniciar a colonização com as Capitanias?

A) A descoberta de minas de ouro em São Vicente.

B) A necessidade de proteger o território contra expedições estrangeiras, especialmente as francesas.

C) A pressão da Igreja Católica para catequizar os indígenas.

D) O desejo de criar uma colônia agrícola autossuficiente para sustentar o exército português.

3)
Representação artística de uma Câmara Municipal colonial:O que eram as Câmaras Municipais e quem eram os chamados "homens bons" que as compunham? Por que esse sistema era considerado a base do poder político local?
4)
O sistema de Sesmarias consistia em:

A) Doações de grandes lotes de terra a pessoas que tivessem recursos para cultivá-las e defendê-las.

B) A divisão igualitária das terras entre todos os colonos, incluindo os indígenas.

C) A venda das terras aos comerciantes estrangeiros que chegassem ao litoral.

D) A reserva de toda a terra para uso exclusivo do Rei, sem direito a exploração por colonos.

5)
O documento que estabelecia os direitos e deveres dos donatários, como a cobrança de impostos e a exploração comercial, chamava-se:

A) Carta de Posse.

B) Foral.

C) Regimento Real.

D) Tratado de Tordesilhas.

6)
Por que a maioria das Capitanias Hereditárias fracassou no seu objetivo inicial?

A) Pela abundância de capital que causou corrupção.

B) Porque o solo brasileiro era totalmente infértil para qualquer tipo de cultura.

C) Pela falta de recursos financeiros, distância da metrópole e resistência dos povos indígenas.

D) Devido a um decreto do Papa que proibia a colonização portuguesa.

7)
A função principal do Governo-Geral, criado em 1548, era:

A) Substituir completamente o sistema das capitanias, que foram extintas imediatamente.

B) Criar um novo parlamento que governaria o Brasil de forma independente de Portugal.

C) Proibir qualquer atividade econômica que não fosse a mineração.

D) Centralizar a administração, organizar a defesa da colônia e mediar conflitos entre donatários.

8)
Qual foi a primeira capital do Brasil, escolhida por ser uma posição estratégica para o Governo-Geral?

A) Rio de Janeiro.

B) Olinda.

C) Salvador.

D) São Vicente.

9)
Além dos cargos de justiça e defesa, qual era o papel dos Jesuítas (Companhia de Jesus) que chegaram com o primeiro Governador-Geral?

A) Ocupar cargos militares de capitães-do-mato.

B) Realizar a catequização dos indígenas e educar os filhos dos colonos.

C) Administrar as finanças e a cobrança de impostos da Coroa.

D) Defender o litoral brasileiro de ataques de piratas franceses.

10)
O que acontecia com uma Sesmaria se o donatário não a cultivasse?

A) Ela poderia ser confiscada pela Coroa e entregue a outra pessoa.

B) O donatário era multado, mas a terra continuava sob seu domínio.

C) O Rei perdoava a dívida e concedia mais terra.

D) O Rei perdoava a dívida e concedia mais terra.

11)
Questões de Verdadeiro ou Falso. Sobre a administração colonial brasileira, julgue as afirmações:

I. O sistema de capitanias foi criado para que o Estado português não tivesse gastos diretos com a colonização.
II. Apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente conseguiram prosperar inicialmente.
III. Com o Governo-Geral, os donatários perderam todos os seus direitos sobre as capitanias.
IV. A Coroa Portuguesa tentou, a todo custo, impedir que o Brasil fosse dividido em capitanias.

As afirmações corretas são:

A) I e IV.

B) I e II.

C) II e III.

D) Todas estão corretas.

12)
O que diferenciava o capitão-donatário do Governador-Geral?

A) O donatário era um cargo temporário, enquanto o governador era um cargo vitalício.

B) O donatário administrava uma faixa específica de terra, enquanto o governador coordenava toda a colônia.

C) O donatário tinha poder militar supremo, enquanto o governador não tinha poder algum.

D) O donatário era escolhido pelo povo, enquanto o governador era escolhido pelo Rei.

13)
Sobre a administração colonial, analise as proposições:

( ) O Ouvidor-Mor era o funcionário responsável pela justiça na colônia.
( ) O Capitão-Mor era o responsável pela organização da defesa militar.
( ) As Câmaras Municipais eram órgãos onde os "homens bons" (proprietários) tomavam decisões locais.
( ) O sistema colonial português priorizou a ocupação do interior do país logo nos primeiros anos.

A sequência correta é:

A) V – V – F – F

B) V – V – V – F

C) F – V – V – V

D) V – F – F – V

14)
Relacione o cargo administrativo ao seu papel na colônia:

(A) Governador-Geral
(B) Ouvidor-Mor
(C) Capitão-Mor
(D) Provedor-Mor

( ) Cuidava da arrecadação de impostos e finanças da Coroa.
( ) Representante máximo do Rei na colônia, coordenador administrativo.
( ) Responsável pela aplicação das leis e justiça na colônia.
( ) Responsável pela segurança, proteção e defesa do território.

A sequência correta é:

A) A – B – C – D

B) B – D – A – C

C) C – A – B – D

D) D – A – B – C

Questão 1:

As faixas horizontais mostram que Portugal não conhecia o interior do território e não tinha recursos para ocupá-lo. A estrutura visava proteger o litoral de ataques (franceses e piratas) e facilitar o escoamento da produção (pau-brasil e cana) diretamente para Portugal via rotas marítimas. O interior era visto apenas como um limite territorial, sem foco na ocupação imediata.

Questão 2: B

Questão 3:

As Câmaras Municipais eram órgãos que administravam as vilas e cidades coloniais. Os "homens bons" eram os proprietários de terras e senhores de escravos, únicos com direito a voto e cargos públicos. Eram a base do poder local porque, como a administração portuguesa estava longe, eram eles quem decidiam sobre obras, impostos locais, limpeza das ruas e a própria organização da justiça cotidiana na vila.

Questão 4: A

Questão 5: B

Questão 6: C

Questão 7: D

Questão 8: C

Questão 9: B

Questão 10: A

Questão 11: B

Questão 12: B

Questão 13: B

Questão 14: D

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: O Brasil Colônia e a Administração Colonial

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 7º Ano do Ensino Fundamental.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF07HI01: Explicar o significado de "descobrimento" e o processo de colonização do Brasil, destacando o sistema de capitanias e a administração colonial.

  • EF07HI02: Analisar as principais características do sistema colonial português e o papel das Câmaras Municipais.

3. Objetivos

  • Compreender os objetivos da Coroa com as Capitanias (transferência de custos).

  • Analisar os motivos do fracasso das capitanias e a criação do Governo-Geral.

  • Explicar a estrutura da Sesmaria e a concentração fundiária.

4. Metodologia

  • Aula 1: Apresentação do mapa das Capitanias. Discussão sobre a estratégia de "terceirização" da defesa do Brasil. Debate: Por que a maioria falhou?

  • Aula 2: O papel da Igreja e das Câmaras. Análise das imagens sugeridas (mapa, sesmarias e Câmara). Resolução das questões propostas.

5. Avaliação

  • Avaliação da participação no debate sobre "por que o Brasil não foi totalmente ocupado no início" e correção das 15 questões estruturadas.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História