Material exclusivo sobre o Governo Dilma Roussef, acompanhado de gabarito completo, ideal para turmas de Ensino Médio e Pré-Vestibular. A publicação aborda os principais marcos do período (2011–2016), destacando a eleição da primeira mulher à Presidência do Brasil, a continuidade de programas sociais, a realização de grandes eventos esportivos (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016), as Jornadas de Junho de 2013, o acirramento da crise econômica, a Operação Lava Jato e o processo político que culminou em seu impeachment.

Governo Dilma Roussef 

Dilma Rousseff tomou posse como a primeira mulher presidente do Brasil em 2011. Herdando um cenário de crescimento econômico herdado do governo anterior, sua administração deu continuidade às políticas de inclusão social, lançando o plano "Brasil Sem Miséria" e expandindo o acesso ao ensino técnico profissionalizante (Pronatec). No entanto, na esfera macroeconômica, o governo implementou a chamada Nova Matriz Econômica, um conjunto de intervenções estatais agressivas que reduziu artificialmente os juros, promoveu desonerações tributárias para setores industriais específicos e conteve preços administrados (como a energia elétrica e os combustíveis) para segurar a inflação. Inicialmente popular, essa política passou a gerar desequilíbrios fiscais severos, perda de competitividade e descontentamento nos mercados financeiros. O ponto de virada política do governo ocorreu em junho de 2013, quando eclodiram as Jornadas de Junho. Inicialmente motivadas pelo aumento das tarifas de transporte público em capitais como São Paulo (lideradas pelo Movimento Passe Livre), as manifestações rapidamente incorporaram milhões de cidadãos às ruas de todo o país, protestando contra a corrupção, a má qualidade dos serviços públicos (saúde, educação e transporte) e os altos gastos com a Copa do Mundo de Futebol. O desgaste político gerado por esse descontentamento difuso enfraqueceu a base governista e abriu espaço para o crescimento da polarização ideológica no país.

 A Reeleição e o Impeachment

Dilma Rousseff candidatou-se à reeleição em 2014 em uma das disputas mais acirradas e polarizadas da história brasileira, vencendo no segundo turno o candidato Aécio Neves (PSDB). Contudo, o segundo mandato (iniciado em janeiro de 2015) revelou-se insustentável. Para tentar corrigir os rombos fiscais deixados pela Nova Matriz Econômica, o governo nomeou o economista Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, implementando um severo plano de ajuste fiscal (austeridade) que contrariou as promessas de campanha e provocou o rompimento político com sindicatos, movimentos sociais e aliados no Congresso. Paralelamente, o país foi tomado pelo impacto das investigações da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, que desvendou um esquema bilionário de corrupção, propinas e cartelização de empreiteiras voltado para desviar recursos da Petrobras e financiar campanhas políticas de diversos partidos. Em meio à pior recessão econômica da história recente do país, à queda drástica de arrecadação e à articulação da oposição com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, abriu-se o processo de impedimento (impeachment). Acusada de crime de responsabilidade fiscal (as chamadas "pedaladas fiscais"), Dilma Rousseff foi afastada do cargo em maio de 2016 e teve seu mandato cassado definitivamente pelo Senado Federal em 31 de agosto de 2016, sendo substituída por seu vice, Michel Temer.

1)
A posse de Dilma Rousseff na Presidência da República em 1 de janeiro de 2011 marcou um fato político inédito na história republicana do Brasil por ter sido:

A) Conquistada por meio de um golpe parlamentar pacífico ocorrido no Congresso Nacional.

B) Realizada sob a supervisão direta de observadores internacionais da Organização das Estados Americanos.

C) A primeira eleição vencida por um candidato de partido independentemente alinhado ao bloco socialista europeu.

D) A primeira vez que uma mulher assumiu o cargo máximo do Poder Executivo federal.

2)
Junho de 2013 mostrando multidões de manifestantes reunidos em grandes avenidas de capitais brasileiras:Analise as causas estruturais e imediatas que motivaram as ruas a protestarem e discuta os impactos desse movimento sobre a estabilidade do governo.
3)
Gráfico econômico do Brasil (2014-2016):Explique os equívocos associados à chamada "Nova Matriz Econômica" e descreva as consequências politiques geradas pela tentativa de implementação do ajuste fiscal em 2015.
4)
Plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal durante as sessões de votação do processo de impedimento presidencial:
Discorra sobre os argumentos jurídicos que embasaram o impedimento e analise o debate historiográfico sobre se o processo configurou uma ruptura constitucional legítima ou um golpe institucional.
5)
A estratégia de política econômica adotada no primeiro mandato de Dilma:

A) Política de Choque Ortodoxo Neoliberal.

B) Estratégia de Convergência Monetária Plena.

C) Nova Matriz Econômica.

D) Diretriz de Austeridade Fiscal Permanente.

6)
O movimento de massas de protesto popular que tomou as ruas de centenas de cidades brasileiras em junho de 2013 teve como estopim inicial imediato a reivindicação contra o(a):

A) Aumento das tarifas do transporte público urbano nas grandes capitais.

B) Privatização das empresas estatais do setor de telecomunicações.

C) Suspensão temporária do pagamento do programa Bolsa Família.

D) Realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro.

7)
A operação da Polícia Federal iniciada em 2014 que revelou um esquema monumental de corrupção, desvios e pagamento de propinas em contratos da Petrobras chamou-se:

A) Operação Castelo de Areia.

B) Operação Satiagraha.

C) Operação Lava Jato.

D) Operação Mãos Limpas do Brasil.

8)
A eleição presidencial brasileira realizada no ano de 2014 caracterizou-se historicamente por apresentar:

A) O primeiro turno decidido por votação eletrônica estritamente manual em papel.

B) Uma disputa extremamente acirrada e polarizada entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

C) A abstenção recorde de mais de 80% do eleitorado nacional apto a votar.

D) A vitória esmagadora de partidos de extrema-direita em todas as regiões do país.

9)
O plano de ajuste fiscal imposto no início do segundo mandato de Dilma (2015), sob a liderança do ministro da Fazenda Joaquim Levy, gerou forte desgaste político por propor medidas de:

A) Austeridade, corte de gastos públicos e elevação de tributos.

B) Expansão descontrolada do crédito público para o consumo de massa.

C) Confisco temporário da caderneta de poupança dos cidadãos.

D) Estatização imediata de todos os bancos privados nacionais.

10)
O fundamento jurídico-constitucional formal utilizado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para justificar a abertura e aprovação do processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016 foi a ocorrência de:

A) Enriquecimento ilícito pessoal comprovado em contas bancárias na Suíça.

B) Participação direta e confessa em atos de terrorismo internacional.

C) Fechamento à força do Congresso Nacional e decretação do estado de sítio.

D) Crime de responsabilidade fiscal relacionado às chamadas "pedaladas fiscais".

11)
A autoridade política institucional que assumiu de forma definitiva a Presidência da República após a conclusão do processo de cassação do mandato de Dilma Rousseff em agosto de 2016 foi o vice-presidente:

A) José Alencar.

B) Fernando Collor.

C) Michel Temer.

D) Renan Calheiros.

12)
O programa educacional e de formação técnica lançado durante a gestão de Dilma Rousseff com o objetivo de ampliar a oferta de cursos técnicos de nível médio em parceria com o setor educacional chamava-se:

A) Universidade para Todos (ProUni).

B) Bolsa Escola Federal de Qualificação.

C) Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

D) Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

13)
Relacione os conceitos, eventos e medidas do Governo Dilma Rousseff às suas definições corretas:

(A) Nova Matriz Econômica
(B) Jornadas de Junho
(C) Operação Lava Jato
(D) Impeachment de 2016

(                              ) Grandiosos protestos populares ocorridos em 2013 que criticavam os serviços públicos e a corrupção.
(                              ) Conjunto de diretrizes econômicas adotadas no primeiro mandato focadas em desonerações e juros baixos.
(                              ) Investigação policial e judicial de combate à corrupção sistêmica centrada em desvios na Petrobras.
(                              ) Processo político-institucional de afastamento definitivo da presidente fundamentado em responsabilidade fiscal.

A sequência correta de associação é:

A) D – A – C – B

B) C – B – D – A

C) A – D – B – C

D) A – B – C – D

Questão 1: D

Questão 2:

As Jornadas de Junho de 2013 eclodiram inicialmente a partir de uma causa imediata muito concreta: o reajuste nas tarifas do transporte coletivo urbano em grandes cidades como São Paulo, capitaneado pelo Movimento Passe Livre. No entanto, a repercussão nacional imediata revelou insatisfações estruturais muito mais profundas acumuladas na sociedade: revolta difusa contra a corrupção sistêmica na política institucional, indignação com a precariedade crônica dos serviços públicos essenciais (saúde, educação e segurança pública financiados por uma altíssima carga tributária) e críticas aos gastos bilionários do Estado na preparação para grandes eventos esportivos internacionais (como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo). Os impactos sobre o governo foram severos: abalaram a popularidade da presidente Dilma Rousseff, desorganizaram a base de sustentação parlamentar e inauguraram uma fase de forte polarização e contestação política difusa nas ruas e nas redes sociais.

Questão 3:

A "Nova Matriz Econômica" tentou blindar o país dos reflexos prolongados da crise financeira internacional de 2008 através de estímulos estatais forçados, com forte redução artificial da taxa básica de juros (Selic), generosas desonerações tributárias concedidas a setores industriais específicos e congelamento artificial de tarifas públicas (como energia e combustíveis). Com o tempo, essa estratégia esgotou-se: gerou descontrole inflacionário reprimido, queda drástica na arrecadação tributária federal e um rombo monumental nas contas públicas (déficit fiscal). Para estancar essa sangria no início de seu segundo mandato em 2015, o governo nomeou Joaquim Levy para implementar um rigoroso ajuste fiscal baseado em corte de despesas e aumento de impostos. Politicamente, essa guinada de rumo foi desastrosa: implodiu a narrativa de campanha que prometia manter gastos sociais sem sacrifícios, provocou o rompimento definitivo com os sindicatos, os partidos da base aliada e os movimentos sociais, aprofundando a recessão e isolando politicamente a presidente.

Questão 4:

Formalmente, o processo de impeachment fundamentou-se em acusações de crime de responsabilidade fiscal consubstanciadas nas chamadas "pedaladas fiscais" (atrasos proposituais nos repasses de recursos a bancos públicos para maquiar o saldo das contas do governo no final de 2014) e na assinatura de decretos de créditos suplementares sem autorização prévia do Congresso Nacional, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal. O desfecho gerou um intenso e duradouro debate historiográfico e político no país: de um lado, os defensores do impedimento argumentam que o processo seguiu estritamente o rito previsto na Constituição de 1988, sendo aprovado por ampla maioria no Congresso e chancelado pelo Supremo Tribunal Federal como resposta legítima ao descontrole fiscal e à quebra de leis orçamentárias; de outro lado, críticos e partidários do governo deposto sustentam que o afastamento constituiu um "golpe parlamentar" ou ruptura institucional disfarçada de legalidade, argumentando que a prática das pedaladas era recorrente em administrações anteriores e que o impedimento decorreu fundamentalmente de manobras políticas orquestradas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e pela oposição inconformada com a derrota eleitoral de 2014 para desestruturar o projeto político governista.

Questão 5: C

Questão 6: A

Questão 7: C

Questão 8: B

Questão 9: A

Questão 10: D

Questão 11: C

Questão 12: C

Questão 13: D

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: O Governo Dilma Rousseff (2011-2016)

1. Identificação

  • Componente Curricular: História do Brasil.

  • Série Aplicada: 9º Ano do Ensino Fundamental / 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC Validadas

  • EF09HI19 (9º Ano): Identificar e compreender o processo político e econômico do Brasil contemporâneo, analisando a estabilidade democrática, as crises econômicas, a participação social e os desdobramentos institucionais recentes.

  • EM13CHS602 (Ensino Médio): Identificar e caracterizar a presença do Estado democrático de direito, analisando a estabilidade institucional, os ciclos econômicos, as mobilizações populares e as crises políticas na história recente.

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Compreender o contexto da eleição de Dilma Rousseff em 2010 como a primeira mulher presidente do Brasil.

  • Analisar os pilares e os desequilíbrios gerados pela chamada "Nova Matriz Econômica" no primeiro mandato.

  • Examinar as causas e os desdobramentos políticos das manifestações populares das "Jornadas de Junho" de 2013.

  • Avaliar os impactos da Operação Lava Jato, do ajuste fiscal de 2015 e os fundamentos constitucionais do processo de impeachment de 2016.

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (O Primeiro Mandato, a Nova Matriz e as Jornadas de Junho): Iniciar questionando os alunos sobre o significado histórico de ter a primeira mulher na chefia do Executivo. Explicar a continuidade social e detalhar a aplicação da Nova Matriz Econômica. Analisar a eclosão das Jornadas de Junho de 2013 e a insatisfação com os serviços públicos.

  • Aula 2 (A Reeleição, a Lava Jato e o Impeachment de 2016): Mudar o foco para a eleição polarizada de 2014, o ajuste fiscal de Joaquim Levy e o avanço das investigações da Operação Lava Jato. Debater o processo de impeachment de 2016, suas bases fiscais e a polarização política gerada. Aplicação supervisionada do simulado de 15 questões estruturadas.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação ativa dos estudantes nos debates sobre crise econômica, responsabilidade fiscal, papel dos movimentos sociais de rua e as regras constitucionais do regime democrático. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução do banco de questões (objetivas equilibradas, itens de V/F com parênteses e discursivas analíticas), aferindo o domínio conceitual e histórico sobre os mandatos do Governo Dilma Rousseff.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História