Leve o famoso lema “50 anos em 5” para a sala de aula com esta excelente atividade sobre o Governo Juscelino Kubitschek, já perfeitamente formatada em PDF para imprimir. Os exercícios estimulam o pensamento crítico dos alunos sobre o desenvolvimento econômico, a modernização e o aumento da dívida externa no período. Pensando em otimizar seu tempo de planejamento, o material traz o gabarito exato e acompanha um plano de aula passo a passo, rigorosamente adequado à BNCC (localizado no rodapé da página). Enriqueça suas avaliações com um conteúdo histórico de alta qualidade! Gabarito no final da página. 

Governo Juscelino Kubitschek

Ao assumir a presidência em 1956, Juscelino Kubitschek propôs um projeto de modernização acelerada, resumido no slogan "50 anos em 5". Juscelino implantou o Plano de Metas, um conjunto de 31 diretrizes de investimentos focadas em cinco áreas prioritárias: Energia, Transporte, Indústrias de Base, Alimentação e Educação. O modelo econômico adotado ficou conhecido como Nacional-Desenvolvimentismo. Nele, o Estado investia pesadamente em infraestrutura (como a construção de rodovias e das usinas hidrelétricas de Furnas e Três Marias) para criar as condições necessárias à atração de empresas multinacionais. O grande símbolo dessa fase foi a instalação da indústria automobilística no sudeste do país, especialmente no ABC Paulista. A opção por privilegiar caminhões e automóveis mudou a geografia do Brasil, consolidando o transporte rodoviário. O país vivia uma onda de otimismo e consumismo urbano (geladeiras, televisores, carros), impulsionando a classe média e a urbanização.

Brasília e a Herança Econômica

A maior e mais emblemática obra do governo JK (a "meta-síntese") foi a construção de Brasília. Inaugurada em 1960 no Planalto Central, a nova capital tinha um objetivo estratégico claro: promover a ocupação do interior do país, transferindo o centro do poder político para longe da superpopulosa e politicamente pressionada cidade do Rio de Janeiro. A cidade de traços modernistas foi erguida em tempo recorde por milhares de trabalhadores migrantes, principalmente nordestinos, que ficaram conhecidos como Candangos. Para financiar as grandes obras, o governo de JK recorreu maciçamente a empréstimos internacionais e à emissão contínua de papel-moeda (imprimir dinheiro). O resultado foi o crescimento acelerado da dívida externa e uma explosão da inflação, que corroeu o salário dos trabalhadores mais pobres. Quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiu medidas duras de austeridade e cortes de gastos para liberar novos empréstimos, Juscelino rompeu politicamente com o órgão em 1959. O presidente terminaria o mandato entregando um país muito mais industrializado, porém imerso em uma grave crise financeira estrutural.

1)
Fotografia dos anos 1950 mostrando a inauguração de uma montadora de automóveis (como a Volkswagen no ABC Paulista:

Explique a estratégia central do Nacional-Desenvolvimentismo em relação ao transporte e ao capital externo, e como isso impactou definitivamente a malha logística (transporte de cargas) do Brasil.

2)
Uma foto em preto e branco mostrando trabalhadores rústicos (os Candangos):Quem eram os Candangos, de onde vinham em sua maioria, e qual foi a contradição social enfrentada por essas pessoas após a inauguração da nova capital federal?
3)
O governo de Juscelino Kubitschek utilizou um slogan muito famoso para mobilizar a nação em torno de seu plano econômico. Qual era essa frase?

A) Retomar os anos dourados do império e construir um governo forte e popular.

B) Promover um crescimento lento e contínuo, focado na justiça social absoluta.

C) Reduzir o avanço industrial para pagar rapidamente todas as dívidas externas.

D) Fazer o Brasil crescer o equivalente a cinquenta anos em apenas cinco anos.

4)
No contexto do Nacional-Desenvolvimentismo da era Juscelino Kubitschek , a industrialização brasileira apresentou como principal característica estrutural:

A) A forte abertura ao capital externo e a instalação de indústrias multinacionais.

B) O fechamento total da economia nacional e a proibição de empresas estrangeiras.

C) A privatização imediata de todas as empresas de base criadas pela Era Vargas.

D) O foco exclusivo na produção de bens primários e manufaturas artesanais locais.

5)
Uma capa de revista da época (ou charge) ilustrando o clima dos "Anos Dourados":  uma televisão e carros novos.O otimismo e o consumismo foram marcas da classe média urbana durante os Anos Dourados. Discorra sobre duas heranças negativas deixadas pelo governo JK para a economia brasileira e que explodiriam no início da década de 1960.
6)
O programa de governo de JK ficou conhecido como Plano de Metas. Ele direcionava investimentos pesados principalmente para os seguintes setores:

A) Energia elétrica, transportes, indústrias de base, setor de alimentação e educação.

B) Comércio informal, modernização bancária, segurança pública federal e saneamento.

C) Habitação popular, reforma agrária ampla, preservação de florestas e artes liberais.

D) Cultura erudita, exportação de minérios raros, turismo ecológico e forças armadas.

7)
A instalação de grandes empresas multinacionais no Brasil, como a Volkswagen e a Ford, gerou qual grande impacto logístico e geográfico?

A) A criação de fábricas de trens de passageiros para conectar o litoral ao interior.

B) A desativação das antigas rodovias estaduais para priorizar frotas de navios.

C) A priorização das rodovias como modal de transporte e atração de montadoras.

D) A estatização de todas as oficinas e fábricas de carros que já operavam no país.

8)
A construção de Brasília, inaugurada em 1960, possuía um objetivo geopolítico central para o Estado brasileiro, que consistia em:

A) Facilitar a fuga imediata do governo federal no caso de uma nova guerra mundial.

B) Transferir a população favelada da cidade do Rio de Janeiro para o meio da selva.

C) Integrar as diversas regiões do país e interiorizar o desenvolvimento econômico.

D) Reduzir enormemente os gastos públicos, visto que a obra foi financiada pela ONU.

9)
Durante a construção da nova capital federal, milhares de trabalhadores migraram de várias partes do país em busca de emprego. Eles eram os:

A) Exilados políticos que retornavam da Europa para trabalhar nas obras federais.

B) Grandes empresários paulistas que operavam diretamente as máquinas pesadas.

C) Trabalhadores braçais, majoritariamente nordestinos, apelidados de Candangos.

D) Militares de baixa patente que foram obrigados pelo exército a construir pontes.

10)
Para tentar planejar o desenvolvimento e reduzir as extremas desigualdades regionais que castigavam o Nordeste, o governo JK criou a:

A) Agência Federal de Petróleo e Energia Elétrica Nacional Limitada.

B) Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (a SUDENE).

C) Empresa Brasileira de Correios e de Transportes Marítimos Integrados.

D) Companhia Nacional de Abastecimento Urbano e Controle de Preços.

11)
Apesar do forte crescimento industrial, o governo de JK deixou uma herança econômica extremamente negativa para os governos seguintes, marcada por:

A) A completa estagnação da indústria têxtil e a total falta de energia hidrelétrica.

B) O fechamento compulsório de todas as indústrias automobilísticas de São Paulo.

C) A devolução de todos os territórios industriais para as antigas coroas europeias.

D) O crescimento acelerado da dívida externa e uma forte espiral inflacionária anual.

12)
Em 1959, JK tomou uma decisão drástica na política externa ao romper relações com o FMI (Fundo Monetário Internacional) porque:

A) O órgão internacional exigia que o Brasil declarasse guerra contra o bloco comunista.

B) JK recusou-se a adotar as impopulares medidas de controle de gastos e austeridade.

C) O governo dos Estados Unidos proibiu o órgão de emprestar dinheiro a países latinos.

D) O fundo exigia que o Brasil fechasse todas as suas modernas montadoras de veículos.

13)
Julgue as afirmações Verdadeiras (V) e Falsas (F), sobre a infraestrutura e os desafios econômicos do período:

(                         ) A construção da rodovia Belém-Brasília foi essencial para iniciar a integração rodoviária entre a nova capital e a região Norte do país.
(                         ) A desigualdade social e regional foi completamente erradicada durante o governo de Kubitschek através dos altos salários industriais.
(                         ) A emissão descontrolada de papel-moeda foi um dos principais métodos utilizados pelo governo para financiar as imensas obras públicas.
(                         ) O setor de bens de consumo duráveis (eletrodomésticos, carros) regrediu drasticamente, pois não havia interesse da população nessas compras.

A sequência correta é:

A) V – F – F – V

B) V – F – V – F

C) V – F – V – F

D) V – V – F – F

14)
Relacione os termos históricos e econômicos da Era JK às suas descrições corretas:

(A) Plano de Metas
(B) Brasília
(C) Candangos
(D) Nacional-Desenvolvimentismo

(                         ) Trabalhadores migrantes, vindos de regiões pobres, responsáveis pelo trabalho pesado da construção civil.
(                         ) Nova capital do país, planejada por Lúcio Costa, criada para promover a interiorização do desenvolvimento.
(                         ) Programa econômico estatal estruturado com dezenas de objetivos focados em infraestrutura e indústria.
(                         ) Modelo que aliava a intervenção forte do Estado ao capital estrangeiro para atrair montadoras ao país.

A sequência correta é:

A) D – C – A – B

B) A – D – B – C

C) B – C – D – A

D) C – B – A – D

Questão 1:

A estratégia de JK foi atrair empresas multinacionais (capital estrangeiro) oferecendo isenções fiscais e uma forte infraestrutura estatal. A escolha de priorizar a instalação de montadoras de automóveis e caminhões consolidou o modelo de transporte rodoviário (rodoviarismo) no Brasil. O Estado investiu maciçamente na abertura de rodovias, relegando a malha ferroviária e fluvial a um segundo plano. Esse modelo gerou rápido crescimento industrial no Sudeste, mas deixou o país profundamente dependente do petróleo e do transporte por rodovias para o escoamento de riquezas.

Questão 2:

Os Candangos eram milhares de migrantes, em sua esmagadora maioria provenientes do Nordeste, que fugiam da seca e da pobreza e buscavam emprego nas obras federais. A grande contradição social é que, após trabalharem exaustivamente para erguer a capital de arquitetura futurista e planejada, eles não foram contemplados no projeto urbano oficial. Após a inauguração em 1960, a maioria foi excluída das áreas nobres do Plano Piloto, sendo forçada a ocupar acampamentos na periferia, o que deu origem às "cidades-satélites", evidenciando a profunda desigualdade social que persistiu apesar do crescimento econômico.

Questão 3: D

Questão 4: A

Questão 5:

Por trás do clima de otimismo e consumo, as principais heranças negativas de JK foram a alta da inflação e o crescimento descontrolado da dívida externa. Para cumprir a promessa de "50 anos em 5" e construir Brasília a toque de caixa, o governo gastou muito mais do que arrecadava. Esse déficit foi coberto com a contratação de pesados empréstimos internacionais em dólar e com a intensa emissão de papel-moeda (imprimir dinheiro sem lastro). Como consequência, o custo de vida aumentou vertiginosamente, corroendo o poder de compra das classes trabalhadoras rurais e urbanas e preparando o terreno para a forte crise política e econômica dos anos seguintes.

Questão 6: A

Questão 7: C

Questão 8: C

Questão 9: C

Questão 10: B

Questão 11: D

Questão 12: B

Questão 13: C

Questão 14: D

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Era JK e o Dilema da Modernização Acelerada

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 9º Ano do Ensino Fundamental e 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF09HI17 (Ensino Fundamental - 9º Ano): Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946 até o golpe civil-militar de 1964, avaliando os dilemas da consolidação da democracia e do populismo.

  • EM13CHS204 (Ensino Médio - 3ª Série): Analisar e avaliar os impactos das tecnologias e da expansão da infraestrutura na estruturação das sociedades contemporâneas, relacionando os avanços com as disparidades socioespaciais.

  • EM13CHS603 (Ensino Médio - 3ª Série): Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (nacionalismo, Estado interventor).

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Explicar as bases do Nacional-Desenvolvimentismo e as metas estipuladas pelo governo JK.

  • Compreender os impactos espaciais e logísticos da indústria automobilística no sudeste do Brasil.

  • Analisar os objetivos geopolíticos da construção de Brasília e o papel da mão de obra migrante (Candangos).

  • Debater criticamente o custo socioeconômico da era de otimismo, abordando inflação, rompimento com o FMI e dívida externa.

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (O Plano de Metas e os Anos Dourados): Iniciar a aula desenhando um mapa rápido do Brasil, mostrando a concentração no litoral. Apresentar o slogan "50 anos em 5". Explicar como JK trouxe as multinacionais de carros (Questão 13) e consolidou o rodoviarismo, gerando os "Anos Dourados" para a classe média. Abordar os avanços socioculturais do período.

  • Aula 2 (A Interiorização e a Fatura do Desenvolvimento): Mostrar imagens da construção de Brasília com foco nos Candangos (Questão 14). Promover um debate: "O desenvolvimento alcançou a todos por igual?". Apresentar o conceito de inflação e o rompimento com o FMI (Questão 15). Aplicação supervisionada do banco de 15 questões inéditas, com ênfase na verificação da capacidade de leitura das alternativas padronizadas.

5. Avaliação

A avaliação formativa e qualitativa ocorrerá por meio da participação dos alunos no debate em sala sobre as contradições do desenvolvimento (como construir prédios modernistas enquanto os construtores moram em áreas precárias). A verificação somativa será efetuada pela correção rigorosa do simulado de múltipla escolha e da argumentação histórica redigida nas três questões discursivas baseadas em análise imagética.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História