Explore ness Atividade de História sobre os bastidores políticos e os conflitos sociais que marcaram o Processo de Independência do Brasil nesta publicação completa, ideal para aulas de História do 8º ano e Ensino Médio. Essa atividade oferece recursos pedagógicos de excelência: dois textos de apoio dinâmicos, um conjunto de questões inéditas para simulados, com Plano de Aula e Gabarito no final da página. 

Independência do Brasil  - O Dia do Fico

Com o fim da Revolução Liberal do Porto (1820), D. João VI foi forçado a retornar a Portugal, deixando seu filho, D. Pedro, como Príncipe Regente no Brasil. Rapidamente, as Cortes de Lisboa (o parlamento português) começaram a aprovar leis que anulavam as liberdades comerciais conquistadas em 1808 e exigiam o retorno imediato de D. Pedro à Europa. O objetivo era claro: rebaixar o Brasil novamente à condição de colônia. A elite brasileira (grandes fazendeiros e comerciantes), temendo perder seus privilégios econômicos, passou a pressionar D. Pedro para que ficasse. Em 9 de janeiro de 1822, ao receber um abaixo-assinado com milhares de assinaturas, o príncipe declarou: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". O Dia do Fico marcou a primeira grande ruptura política com a metrópole.

 O Ipiranga, as Guerras

A relação com Portugal deteriorou-se rapidamente ao longo de 1822. Orientado por seu ministro José Bonifácio, D. Pedro I proclamou a independência às margens do riacho Ipiranga no dia 7 de setembro. Diferente do resto da América Latina, o Brasil adotou a Monarquia para garantir a unidade territorial e evitar revoltas populares. A separação, contudo, não foi pacífica. Diversas províncias com forte presença militar portuguesa, como a Bahia, o Grão-Pará, o Maranhão e a Cisplatina (atual Uruguai), não aceitaram a ordem do Rio de Janeiro. Tiveram início as violentas Guerras de Independência, que só terminaram em 1824. Apesar da vitória militar e política, a independência brasileira foi um acordo de elites: o país rompeu com Portugal, mas preservou a sua principal base de sustentação econômica, a escravidão, deixando os negros e os mais pobres à margem da nova nação.

1)
Qual foi a principal exigência das Cortes de Lisboa que provocou grande insatisfação na elite brasileira a partir de 1821?

A) A criação de um parlamento independente e exclusivo no Rio de Janeiro.

B) A imediata abolição do tráfico negreiro em todo o Império Português.

C) O retorno de D. Pedro a Portugal e a anulação da autonomia do Brasil.

D) A transferência da capital do Rio de Janeiro para a província da Bahia.

2)
Pintura "Independência ou Morte" (O Grito do Ipiranga), de Pedro Américo, mostrando D. Pedro I em trajes militares heroicos, montado em um belo cavalo, erguendo a espada rodeado pela Guarda de Honra:A famosa tela de Pedro Américo foi encomendada décadas após 1822 para construir um mito heroico sobre a nação. Identifique dois elementos na imagem que não condizem com a realidade histórica daquele momento e explique por que a pintura oficial omitiu o povo do centro da ação.
3)
Africanos escravizados trabalhando exaustivamente no corte de cana-de-açúcar:Analise a imagem em contraste com o conceito de "independência e liberdade". Explique a grande contradição do movimento de 1822 em relação ao sistema de trabalho retratado na gravura. 
4)
O evento histórico conhecido como "Dia do Fico", ocorrido em 9 de janeiro de 1822, caracterizou-se pela:

A) Assinatura do tratado de paz definitivo entre Brasil e a Inglaterra.

B) Decisão de D. Pedro de permanecer no Brasil, contrariando Portugal.

C) Coroação oficial de D. Pedro I como o novo Rei de todo o Império.

D) Chegada das primeiras tropas mercenárias para lutar na Cisplatina.

5)
Diferentemente dos países da América Espanhola, que adotaram o modelo republicano após suas independências, o Brasil optou por:

A) Implantar uma monarquia e manter a grande unidade do território.

B) Dividir seu território em dez pequenas repúblicas autônomas.

C) Entregar a administração política inteiramente às forças armadas.

D) Retornar ao status de colônia inglesa após a ruptura com Lisboa.

6)
A Independência do Brasil atendeu fundamentalmente aos interesses de qual grupo social?

A) Dos escravizados, que ganharam liberdade de trabalho no campo.

B) Da classe operária urbana, que assumiu o poder nos centros industriais.

C) Dos povos indígenas, que recuperaram grande parte de suas terras.

D) Da elite agrária, que desejava preservar seus privilégios comerciais.

7)
A separação política entre Brasil e Portugal em 1822 apresentou uma profunda contradição social, destacando-se pela:

A) Extinção imediata dos títulos de nobreza da elite brasileira.

B) Manutenção da estrutura escravocrata e do sistema latifundiário.

C) Implementação do voto universal e obrigatório para toda a nação.

D) Distribuição de pequenas propriedades de terra para os camponeses.

8)
Um mito muito comum é que a Independência do Brasil ocorreu sem derramamento de sangue. Na realidade histórica, houve:

A) Violentas Guerras de Independência em províncias como a Bahia.

B) Um conflito armado que durou apenas um dia na cidade de São Paulo.

C) Apenas confrontos diplomáticos resolvidos nos tribunais da Europa.

D) Uma intervenção armada liderada pelas tropas dos Estados Unidos.

9)
José Bonifácio de Andrada e Silva é frequentemente chamado de "Patriarca da Independência" porque:

A) Liderou pessoalmente os exércitos brasileiros no campo de batalha.

B) Financiou sozinho a compra de navios de guerra para a nova marinha.

C) Escreveu o documento declarando o Brasil uma república provisória.

D) Atuou como principal conselheiro de D. Pedro e articulador político.

10)
Para que Portugal reconhecesse oficialmente a Independência do Brasil em 1825, o governo brasileiro precisou:

A) Devolver todas as riquezas minerais extraídas no século dezoito.

B) Prometer a abolição imediata da escravidão em todas as províncias.

C) Permitir que militares portugueses controlassem o exército local.

D) Pagar uma enorme indenização de dois milhões de libras esterlinas.

11)
Sobre a data de 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, é historicamente correto afirmar que:

A) Consolidou uma revolução popular armada liderada pelos mais pobres.

B) Foi o momento em que D. Pedro I assinou a primeira constituição.

C) Representou a ruptura simbólica final após meses de tensão política.

D) Causou a imediata expulsão de todos os comerciantes de origem lusa.

12)
Sobre a transição política que levou à Independência, analise as proposições:

I. A Revolução do Porto tentou limitar o poder de D. João VI e subordinar o Brasil.
II. D. Pedro proclamou a independência sob forte ameaça de invasão francesa ao Rio de Janeiro.
III. A unidade territorial brasileira só foi mantida graças a acordos políticos e ações militares rigorosas.
IV. A Inglaterra foi totalmente contrária à independência, pois preferia negociar com os portugueses.

As afirmações corretas são:

A) I e III.

B) I, II e IV.

C) II, III e IV.

D) II, III e IV.

13)
Julgue as afirmações sobre a sociedade brasileira após 1822:

(                ) A independência não alterou a condição social da maioria da população, que continuou escravizada ou marginalizada.
(                ) A nova Constituição garantiu igualdade de direitos e voto para as mulheres.
(                ) As Guerras de Independência na Bahia (consolidada no 2 de Julho) tiveram forte participação popular.
(                ) Os povos indígenas foram integrados ao novo governo ocupando importantes ministérios.

A sequência correta é:

A) V – V – F – F

B) V – F – F – V

C) F – V – V – V

D) V – F – V – F

14)
Relacione o evento ou conceito ao seu respectivo papel no processo de Independência:

(A) Cortes de Lisboa
(B) Dia do Fico
(C) Monarquia
(D) Guerras de Independência

(                ) Forma de governo escolhida para evitar a fragmentação do Brasil.
(                ) Conflitos armados em províncias que não aceitaram o 7 de setembro.
(                ) Parlamento de Portugal que exigia a recolonização do território.
(                ) Marco do rompimento político de D. Pedro I com as ordens de Portugal.

A sequência correta é:

A) C – D – A – B

B) A – B – C – D

C) D – C – B – A

D) B – A – D – C

Questão 1: C

Questão 2:
Dois elementos irreais são: D. Pedro não estava em trajes militares de gala montado em um cavalo puro-sangue (a comitiva usava roupas desgastadas de viagem e montava mulas, animais adequados para subir a Serra do Mar). Além disso, não havia uma grande "Guarda de Honra" uniformizada. A pintura omitiu o povo do centro da ação para reforçar a ideia de que a independência foi um presente heroico dado pela elite e pelo monarca, desencorajando o protagonismo popular e justificando o modelo autoritário do Império.

Questão 3:
A grande contradição da Independência do Brasil foi de caráter estrutural e social. A palavra "liberdade" utilizada pelos políticos da época significava apenas autonomia comercial e política em relação a Portugal (para beneficiar a elite proprietária). No entanto, essa mesma elite agrária garantiu a manutenção da escravidão. Para milhões de africanos e afrodescendentes (como os retratados na imagem), o 7 de setembro não trouxe liberdade alguma; pelo contrário, o novo Estado Nacional foi construído sustentando-se na exploração brutal dessa mão de obra.

Questão 4: B

Questão 5: A

Questão 6: D

Questão 7: B

Questão 8: A

Questão 9: D

Questão 10: D

Questão 11: C

Questão 12: A

Questão 13: D

Questão 14: A

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Independência do Brasil - Entre Conflitos e Continuidades

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 8º Ano do Ensino Fundamental.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF08HI15: Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil (como na Guerra da Bahia).

  • EF08HI16: Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos movimentos separatistas no contexto do Primeiro Reinado.

3. Objetivos

  • Desconstruir o mito de uma independência 100% pacífica, destacando as Guerras de Independência.

  • Compreender o processo político que levou ao Dia do Fico e ao rompimento com Lisboa.

  • Analisar criticamente a escolha do sistema monárquico e a manutenção da escravidão pela elite agrária.

  • Desenvolver a leitura crítica de imagens históricas (Pintura de Pedro Américo x Realidade).

4. Metodologia

  • Aula 1 (O Arranjo Político e o Grito): Introduzir o tema com a pintura de Pedro Américo (Questão 13). Questionar os alunos sobre "o que parece real e o que parece montado?". Explicar a pressão das Cortes de Lisboa e a aliança da elite com D. Pedro (Dia do Fico). Debater por que fomos o único país a manter um Rei na América.

  • Aula 2 (Guerras e Exclusão Social): Apresentar a imagem dos escravizados (Questão 14) e do 2 de Julho (Questão 15). Focar nos sujeitos ocultos da independência: o povo que lutou nas províncias e as pessoas que continuaram escravizadas. Resolução orientada do banco de 15 questões, garantindo que os alunos fundamentem as alternativas escolhidas.

5. Avaliação

  • Observação da participação ativa na desconstrução da obra "Independência ou Morte". A avaliação formal ocorrerá por meio da execução e correção do questionário estruturado, com atenção especial à capacidade argumentativa nas respostas discursivas.