Trabalhe o período de transição da ditadura militar com esta excelente Atividade de História sobre o Governo Ernesto Geisel. O material desafia os alunos a compreenderem os principais marcos de sua gestão, explorando o projeto de abertura política “lenta, gradual e segura”, os impactos da crise do petróleo na economia brasileira, o Pacote de Abril e o histórico fim do AI-5. Baixe o arquivo em PDF, rigorosamente alinhado às competências da BNCC e estruturado com layout limpo, ideal para aplicação no Ensino Fundamental e Médio. A folha do aluno vai pronta para impressão, contando com um gabarito completo e separado no final da página para otimizar o seu tempo de correção pedagógica! Baixe já. Gabarito e Plano de Aula no final da página. 

Ernesto Geisel (1974–1979)

Ernesto Geisel assumiu a presidência em março de 1974 herdando os impactos da primeira Crise Internacional do Petróleo (1973). Como o Brasil importava cerca de 80% do petróleo que consumia, o encarecimento repentino do barril ameaçava destruir o crescimento do "Milagre Econômico". Para evitar o colapso industrial e manter a economia aquecida, o governo optou por não frear o crescimento de imediato. Em vez disso, lançou o ambicioso II PND (Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento), que tinha como objetivo  preencher as lacunas da economia brasileira através de investimentos em indústrias de base (aço, alumínio, celulose, petroquímica), infraestrutura energética (com o início das obras da monumental Hidrelétrica de Itaipu) e na busca por petróleo em alto-mar (sucesso da Petrobras na Bacia de Campos). Geisel firmou o polêmico Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. Contudo, como o país não tinha capital interno suficiente, essas obras faraônicas foram financiadas por empréstimos externos gigantescos, elevando perigosamente a inflação e a dívida externa do país.

Abertura Política

Idealizado junto com o General Golbery do Couto e Silva, o projeto da distensão "lenta, gradual e segura" visava abrir o regime político de cima para baixo, evitando que a transição escapasse do controle militar ou gerasse revoltas populares incontroláveis. Essa abertura, contudo, enfrentou feroz resistência da "linha dura" militar, que defendia a continuidade do terror estatal.  As tensões explodiram com o assassinato sob tortura do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI de São Paulo (1975), crime que gerou uma indignação nacional histórica e uniu a sociedade civil contra a violência arbitrária. Geisel reagiu com firmeza para conter os radicais: exonerou o general responsável e, mais tarde, demitiu o Ministro do Exército, Sylvio Frota, líder da linha dura que tramava contra a abertura. Diante do crescimento eleitoral da oposição (o MDB nas eleições de 1974), Geisel fechou temporariamente o Congresso para impor a "Lei Falcão" e os "Senadores Bico de Penas". No entanto, a trajetória da abertura era irreversível: em dezembro de 1978, Geisel revogou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), restaurou o habeas corpus para crimes políticos e preparou o terreno para a Lei da Anistia.

1)
Fotografia da Placa de Inauguração da Usina Hidrelétroca de Marimbondo, pelo Governo Geisel em 1976:Explique os objetivos centrais do II PND e analise a ambiguidade de seus resultados a longo prazo para as finanças do Brasil.
2)
Fotografia do General Ernesto Geisel ao lado de Golbery do Couto e Silva, simbolizando a transição política:

O projeto da distensão "lenta, gradual e segura" foi concebido para que a abertura política ocorresse estritamente sob o controle do governo militar. Discorra sobre os motivos que levaram a cúpula moderada de Geisel a iniciar a redemocratização e explique os obstáculos impostos pela própria ala radical ("linha dura") dos quartéis.

3)
Fotografia histórica de uma missa ecumênica na Catedral da Sé em São Paulo lotada de cidadãos prestando homenagem a Vladimir Herzog em 1975:

O assassinato do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI em 1975 marcou um ponto de inflexão na relação entre a sociedade civil e a ditadura. Explique por que a farsa oficial de que Herzog teria cometido suicídio foi rejeitada publicamente e como esse crime mobilizou a sociedade contra a violência estatal.

4)
Relacione os termos e fatos do governo Geisel às suas definições corretas:

(A) II PND
(B) Distensão Lenta e Gradual
(C) Sylvio Frota
(D) Vladimir Herzog

(                               )Plano econômico voltado para o desenvolvimento de indústrias de base e infraestrutura energética.
(                               )Ministro do Exército demitido por Geisel por liderar as conspirações da "linha dura" militar.
(                               )Projeto político oficial de abertura democrática controlada pela cúpula do governo.
(                               )Jornalista assassinado sob tortura no DOI-CODI, gerando comoção nacional contra o regime.

As sequência correta é:

A) A – C – B – D

B) A – D – C – B

C) C – B – D – A

D) D – A – C – B

5)
O grande marco jurídico do final do mandato de Ernesto Geisel, que encerrou o período mais aterrorizante da ditadura em dezembro de 1978, foi:

A) A promulgação de uma nova carta constitucional totalmente democrática redigida por civis.

B) A realização de eleições diretas para a escolha do sucessor presidencial.

C) O perdão a todas as dívidas externas contraídas junto ao FMI durante o II PND.

D) A revogação formal do Ato Institucional nº 5 (AI-5) e a restauração do habeas corpus.

6)
Julgue as afirmações Verdadeiras (V) e Falsas (F), sobre os embates políticos e a abertura no governo Geisel:
(                               ) O General Sylvio Frota representava os setores da "linha dura" que criticavam a abertura lenta do regime.
(                               ) A "Lei Falcão" foi criada para impedir que candidatos de oposição fizessem críticas diretas na televisão durante campanhas.
(                               ) A oposição do MDB sofreu forte derrota em 1974, elegendo apenas dois senadores em todo o território nacional.
(                               ) A revogação do AI-5 devolveu garantias constitucionais fundamentais, como o habeas corpus para crimes políticos.
As sequência correta é:

A) V – V – F – V

B) V – F – V – F

C) F – V – V – F

D) V – F – F – V

7)
O governo do General Ernesto Geisel (1974-1979) iniciou-se sob o impacto direto de qual grande revés na economia internacional?

A) A quebra generalizada das bolsas de valores e o fim do padrão-ouro na Europa.

B) O embargo total de grãos agrícolas e carnes imposto pelas potências socialistas.

C) A primeira Crise Internacional do Petróleo (1973), que encareceu drasticamente os combustíveis.

D) A hiperinflação descontrolada gerada pela desvalorização do dólar nos Estados Unidos.

8)
Para evitar que a crise externa paralisasse o crescimento nacional, o governo Geisel lançou um ambicioso plano econômico conhecido como:

A) Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG).

B) Programa de Metas de Substituição Total de Importações de Alimentos.

C) Plano Real de Estabilização e Conversão Monetária.

D) Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND).

9)
O II PND priorizou estrategicamente investimentos pesados e financiamentos estatais em quais setores da economia?

A) Apenas no comércio varejista urbano e na prestação de serviços turísticos litorâneos.

B) Nas indústrias de base, na infraestrutura de energia e na substituição de importações.

C) Na agricultura tradicional de subsistência e na produção artesanal familiar de roupas.

D) Na indústria bélica de ponta focada exclusivamente na exportação para o Oriente Médio.

10)
Entre as grandes obras e acordos estratégicos firmados durante o governo Geisel para garantir a soberania energética destacam-se:

A) A privatização de todas as refinarias de petróleo da Petrobras e das ferrovias estaduais.

B) A construção do gasoduto transcontinental ligando o Brasil diretamente à Venezuela.

C) O início das obras da Usina de Itaipu e a assinatura do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha.

D) A exploração exclusiva de carvão mineral nas bacias hidrográficas do Nordeste.

11)
No plano político, o projeto oficial de abertura do regime planejado por Geisel e Golbery do Couto e Silva era definido pelo lema de uma distensão:

A) Oculta, silenciosa e restrita apenas aos gabinetes ministeriais de Brasília.

B) Lenta, gradual e segura, para que o controle ficasse nas mãos da cúpula do governo.

C) Caótica, descentralizada e entregue inteiramente às lideranças dos sindicatos operários.

D) Rápida, violenta e plebiscitária, com o afastamento imediato de todos os militares.

12)
O assassinato sob tortura do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DOI-CODI em São Paulo (1975) gerou como consequência política imediata:

A) A aprovação unânime de uma nova lei de endurecimento da censura e fechamento de jornais.

B) A desativação oficial de todos os quartéis do exército na região sudeste do país.

C) A renúncia imediata e voluntária do presidente Ernesto Geisel do cargo presidencial.

D) Uma onda de indignação nacional que uniu a sociedade civil e igrejas contra a violência do Estado.

13)
Para conter as pressões e a tentativa de golpe da facção radical dos quartéis conhecida como "linha dura", Geisel tomou a decisão drástica em 1977 de:

A) Nomear o líder da linha dura como seu sucessor legítimo e inquestionável.

B) Demitir o Ministro do Exército, General Sylvio Frota, enfraquecendo os radicais.

C) Declarar guerra aberta contra os governadores de estado alinhados ao partido MDB.

D) Restabelecer a monarquia constitucional para pacificar os conflitos partidários.

Questão 1:

O II PND teve como objetivo central evitar que a crise do petróleo travasse o desenvolvimento brasileiro, substituindo importações através de investimentos estatais gigantescos em indústrias de base (aço, petroquímica, celulose) e em infraestrutura energética (como a construção de Itaipu e o investimento na exploração de petróleo offshore). A ambiguidade dos resultados consistiu no seguinte: do ponto de vista estrutural e industrial, o plano foi um sucesso, modernizando a base fabril do país; no entanto, como o Brasil não tinha poupança interna suficiente para custear obras tão caras, o governo recorreu maciçamente a empréstimos internacionais em dólar, elevando perigosamente a dívida externa e plantando as sementes da crise inflacionária crônica da década de 1980.

Questão 2:

A cúpula moderada de Geisel e Golbery percebeu que a ditadura não podia durar para sempre e que manter o terror de Estado em alta intensidade gerava desgaste insustentável, isolamento internacional e riscos de rupturas violentas de baixo para cima (como revoltas populares). A solução foi iniciar uma abertura controlada ("lenta, gradual e segura") para esvaziar a oposição moderada e garantir que os militares saíssem do poder preservando suas influências e sem investigações sobre crimes passados. No entanto, o principal obstáculo a esse plano veio da própria base militar: a "linha dura" (representada por generais como Sylvio Frota) era radicalmente contrária a qualquer concessão, defendendo a manutenção do AI-5 e da tortura, o que obrigou Geisel a usar de forte autoridade presidencial para afastar e demitir os oficiais radicais e garantir a revogação do AI-5 em 1978.

Questão 3:

A farsa oficial divulgada pelo regime (de que Vladimir Herzog havia se enforcado com o cinto na cela) foi imediatamente rejeitada porque a cena do crime era grosseiramente forçada (o cinto estava preso em uma altura onde ele estaria com os joelhos no chão) e os sinais evidentes de tortura em seu corpo eram públicos. Esse assassinato causou revolta profunda porque Herzog era um jornalista respeitado, intelectual e pai de família, e não um guerrilheiro armado. A indignação uniu sindicatos, estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Igreja Católica em uma inédita e massiva mobilização pública (como a missa na Sé), demonstrando que a sociedade civil estava rompendo o medo e exigindo o fim da impunidade e da tortura oficial.

Questão 4: A

Questão 5: D

Questão 6: A

Questão 7: C

Questão 8: D

Questão 9: B

Questão 10: C

Questão 11: B

Questão 12: D

Questão 13: B

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: O Governo Ernesto Geisel e os Rumos da Abertura

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 9º Ano do Fundamental e 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF09HI19: Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória, à verdade e à justiça.

  • EM13CHS602: Identificar e caracterizar a presença do autoritarismo e da resistência na política brasileira, relacionando-os com o processo de distensão e abertura.

  • EM13CHS603: Analisar a formação de experiências políticas aplicando conceitos básicos (crise do petróleo, II PND, abertura controlada, AI-5).

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Analisar os impactos da primeira Crise do Petróleo (1973) na economia brasileira e os objetivos do II PND.

  • Compreender o conceito político da distensão "lenta, gradual e segura" idealizada por Geisel e Golbery.

  • Examinar o impacto histórico do assassinato de Vladimir Herzog na mobilização da sociedade civil contra a ditadura.

  • Debater os conflitos internos entre os militares moderados e a facção radical da "linha dura" (demissão de Sylvio Frota e revogação do AI-5).

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (A Economia do II PND e a Crise do Petróleo): Iniciar perguntando: "O que acontece com um país que importa quase todo o combustível quando o preço do petróleo dispara?". Explicar o impacto de 1973 e apresentar o ambicioso II PND (Questão 13). Discutir a modernização industrial aliada ao crescimento perigoso da dívida externa.

  • Aula 2 (A Distensão e a Luta Contra a Linha Dura): Abordar a transição política. Explicar o projeto da abertura controlada e o impacto da morte de Vladimir Herzog (Questão 14) na união da sociedade civil. Analisar o confronto de Geisel contra a linha dura e a revogação do AI-5 em 1978 (Questão 15). Aplicação supervisionada do simulado de 15 questões estruturadas, exigindo leitura analítica de alternativas idênticas em extensão.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação ativa dos alunos nos debates sobre a relação entre o modelo de desenvolvimento econômico endividado e as pressões sociais pela redemocratização. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução do banco de questões (objetivas e discursivas analíticas), avaliando o domínio crítico e conceitual sobre o governo Ernesto Geisel.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História