Baixe a atividade sobre a crise política no Brasil pós-Vargas com esta atividade de História sobre o Governo Café Filho e a instabilidade até JK. O material detalha as tensões eleitorais e os levantes militares da década de 1950 de forma clara para os alunos. Para otimizar o seu tempo de planejamento, o arquivo já acompanha o gabarito completo para correção rápida e um plano de aula estruturado conforme a BNCC bem no final da página. Garanta um recurso didático de alta qualidade que facilita sua rotina escolar e engaja a turma! Gabarito no final da página.

 Café Filho e a sucessão até JK

Com o trágico suicídio de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954, o vice-presidente João Café Filho assumiu imediatamente o governo. Diante do forte comoção popular que tomou as ruas contra os opositores de Vargas, Café Filho tentou acalmar os ânimos, mas sua postura política foi de ruptura com o legado do antecessor. Ele formou um ministério de perfil altamente conservador, aproximando-se da UDN (União Democrática Nacional) e dos setores empresariais ligados ao capital estrangeiro. Na economia, Café Filho nomeou o economista liberal Eugênio Gudin para o Ministério da Fazenda. Gudin implementou um rigoroso plano de austeridade para combater a inflação: cortou gastos públicos, restringiu créditos e abriu a economia para investimentos estrangeiros, opondo-se à política nacionalista da Era Vargas. Contudo, essa política gerou forte recessão e insatisfação entre os trabalhadores. O governo de Café Filho era visto como um período de transição provisório, mas as eleições marcadas para outubro de 1955 transformariam o cenário político em um verdadeiro campo minado.

 A Crise Sucessória

Nas eleições presidenciais de 1955, Juscelino Kubitschek (JK) e seu vice João Goulart (Jango) saíram vitoriosos, representando a continuidade da aliança varguista (PSD-PTB). A UDN e grupos militares conservadores não aceitaram a derrota e começaram a articular um golpe para impedir a posse de JK. A crise agravou-se em novembro, quando Café Filho sofreu um problema cardíaco e afastou-se do cargo. Assumiu o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, que era declaradamente aliado dos golpistas da UDN. Para impedir que Carlos Luz concretizasse o golpe e anulasse as eleições, o Ministro da Guerra, General Henrique Teixeira Lott, agiu de forma decisiva. Em 11 de novembro de 1955, Lott liderou o chamado "Golpe Preventivo" (ou Retorno à Legalidade): mobilizou as tropas, depôs Carlos Luz e garantiu que o presidente do Senado, Nereu Ramos, assumisse a presidência do país. Dias depois, quando Café Filho tentou reassumir o cargo após receber alta médica, também foi impedido pelas Forças Armadas. Nereu Ramos governou sob estado de sítio até 31 de janeiro de 1956, assegurando a posse constitucional de Juscelino Kubitschek e preservando, temporariamente, a democracia brasileira.

1)
Fotografia da multidão em comoção nas ruas durante o velório de Getúlio Vargas, contrastando com uma foto do sério e formal ministério conservador empossado por Café Filho dias depois:A morte de Getúlio Vargas gerou uma onda de fúria popular contra a oposição (UDN e imprensa). No entanto, o vice-presidente João Café Filho, ao assumir o poder, tomou um rumo político oposto ao clamor das ruas. Explique de que forma o governo Café Filho rompeu com a tradição varguista logo nos seus primeiros meses, considerando suas alianças e escolhas econômicas.
2)
Fotografia do General Henrique Teixeira Lott fardado ao lado de suas tropas:O movimento militar liderado pelo General Lott em novembro de 1955 é chamado na história do Brasil de "Golpe Preventivo". Explique o aparente paradoxo desse termo: como um "golpe" militar pôde ser utilizado para defender a "legalidade" e a democracia naquele momento?
3)

Fotografia histórica de Juscelino Kubitschek e João Goulart, sorridentes:

A posse de JK e Jango encerrou um longo período de instabilidade que teve três presidentes diferentes (Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos) em pouco mais de um ano. Com base no que foi estudado sobre a crise sucessória, explique por que a elite conservadora e setores radicais das Forças Armadas temiam tanto que Juscelino e Goulart assumissem o poder.

4)
A posse de João Café Filho na presidência da República, em agosto de 1954, ocorreu imediatamente após qual grave evento político?

A) O golpe militar que depôs o governo comunista e fechou totalmente o Congresso.

B) A renúncia pacífica do presidente em meio a escândalos de corrupção eleitoral.

C) O suicídio do presidente Getúlio Vargas em meio a uma intensa crise política.

D) O fim do mandato presidencial que marcou a primeira eleição direta em décadas.

5)
No campo econômico, o governo de Café Filho, através de seu ministro Eugênio Gudin, adotou uma política que se caracterizou por:

A) Focar em austeridade fiscal, corte de gastos públicos e atração do capital estrangeiro.

B) Adotar um forte estatismo, criando diversas empresas públicas para substituir o capital.

C) Nacionalizar todas as refinarias de petróleo americanas para proteger o produto local.

D) Aumentar o salário mínimo em cem por cento para atender aos sindicatos de operários.

6)
Qual foi o partido político que fez forte oposição a Vargas, mas que se aliou rapidamente a Café Filho após ele assumir a presidência?

A) O Partido Republicano Paulista, reduto dos antigos fazendeiros.

B) O Partido dos Trabalhadores, interessado nas reformas de base.

C) O Partido Comunista Brasileiro, focado nas lutas trabalhistas.

D) A União Democrática Nacional, representando a elite conservadora.

7)
A instabilidade política agravou-se no início de novembro de 1955 quando o presidente João Café Filho precisou afastar-se do cargo devido a:

A) Um grave problema de saúde (crise cardiovascular) que o impediu de atuar.

B) Uma ordem de prisão expedida pela suprema corte por crimes de corrupção.

C) Uma viagem internacional para buscar ajuda econômica nos Estados Unidos.

D) Um acordo secreto firmado entre as Forças Armadas e os líderes opositores.

8)
Com o afastamento de Café Filho, o cargo foi assumido por Carlos Luz, que rapidamente gerou forte tensão militar e civil porque:

A) Declarou apoio imediato e incondicional às reformas socialistas de Goulart.

B) Renunciou no seu primeiro dia de governo para morar em outro país latino.

C) Tentou transformar o país em uma monarquia parlamentarista conservadora.

D) Demonstrou alinhamento com os setores que queriam impedir a posse de JK.

9)
O Movimento de 11 de Novembro de 1955, liderado pelo General Henrique Teixeira Lott, ficou conhecido na historiografia brasileira como:

A) A Revolução Constitucionalista.

B) A Intentona Comunista Armada.

C) O Golpe Preventivo da Legalidade.

D) O Golpe Civil-Militar de Estado.

10)
O objetivo central do General Henrique Teixeira Lott ao mobilizar as tropas e depor o presidente interino Carlos Luz era:

A) Garantir o respeito à Constituição e assegurar a posse do presidente eleito JK.

B) Convocar novas eleições presidenciais onde apenas militares poderiam concorrer.

C) Estabelecer uma longa ditadura militar governada apenas por jovens generais.

D) Devolver o poder executivo imediatamente às mãos do ex-presidente Café Filho.

11)
Após a deposição de Carlos Luz e o impedimento do retorno de Café Filho, quem assumiu a presidência até a posse de JK em janeiro de 1956?

A) Carlos Lacerda, o principal jornalista de oposição varguista.

B) Nereu Ramos, o então presidente do Senado Federal Brasileiro.

C) João Goulart, que foi empossado antecipadamente pelos militares.

D) Marechal Dutra, que foi chamado para pacificar os quartéis.

12)
Sobre o governo de transição de Café Filho e a política nacional, analise as proposições:

I. Café Filho manteve toda a equipe de ministros de Getúlio Vargas para evitar conflitos políticos internos.
II. A política econômica do ministro Eugênio Gudin agradou aos trabalhadores rurais e operários sindicalizados.
III. A UDN (União Democrática Nacional) utilizava o discurso da moralidade e do perigo comunista contra a chapa de JK.
IV. A chapa JK-Jango era vista pelos opositores conservadores como a continuidade direta do varguismo no poder.

As afirmações corretas são:

A) I e II.

B) I e IV.

C) III e IV.

D) II e III.

13)
Julgue as afirmações sobre os episódios do Golpe Preventivo (1955):

(                    ) O General Lott agiu contra a Constituição para colocar um ditador comunista no poder do Brasil.
(                    ) Carlos Luz fugiu a bordo do cruzador Tamandaré após perceber que as tropas do exército o deporiam.
(                    ) Café Filho, após recuperar-se de seu problema de saúde, foi impedido pelos militares de reassumir a presidência.
(                    ) Nereu Ramos governou de forma tranquila, sem precisar decretar Estado de Sítio nos meses que antecederam a posse.

A sequência correta é:

A) V – F – V – V

B) F – V – V – F

C) V – V – F – F

D) F – F – V – V

14)
Relacione as personalidades políticas da crise sucessória aos seus respectivos papéis históricos:

(A) João Café Filho
(B) Carlos Luz
(C) Henrique Teixeira Lott
(D) Nereu Ramos

(                       ) Ministro da Guerra que realizou o "golpe preventivo" para garantir a legalidade.
(                       ) Presidente interino aliado à UDN, deposto por apoiar o golpe contra a posse de JK.
(                       )Presidente do Senado que assumiu o país e governou sob Estado de Sítio até a posse de JK.
(                       ) Vice de Vargas que assumiu a presidência, aliando-se aos conservadores da UDN.

A sequência correta é:

A) A – C – D – B

B) C – D – B – A

C) C – B – D – A

D) B – A – C – D

Questão 1:

Apesar da comoção popular a favor do legado de Vargas, Café Filho formou um governo marcadamente antipopulista e conservador. Ele rompeu com a tradição varguista ao entregar os principais ministérios a opositores ferozes do antigo governo, aproximando-se fortemente da UDN. Na economia, entregou o Ministério da Fazenda ao liberal Eugênio Gudin, que implementou políticas de austeridade severa, cortando despesas, contendo o crédito e favorecendo o capital estrangeiro privado, o que ia diretamente contra as políticas de intervenção estatal, proteção trabalhista e nacionalismo econômico da Era Vargas.

Questão 2:

O paradoxo do "Golpe Preventivo" reside no fato de que o General Lott usou a força militar (tradicionalmente associada à quebra da democracia) para de fato proteger a Constituição e o processo eleitoral democrático. A ala conservadora (UDN) e o presidente em exercício, Carlos Luz, estavam manobrando abertamente para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Ao perceber a conspiração institucional que rasgaria as urnas, Lott interveio preventivamente: depôs os golpistas do executivo para assegurar que a vontade popular expressa no voto fosse respeitada e JK pudesse assumir o governo legalmente.

Questão 3:

A elite conservadora (representada pela UDN) e a linha dura militar temiam profundamente a chapa de JK e Jango porque ambos representavam a aliança política (PSD-PTB) construída por Getúlio Vargas. JK era visto como um herdeiro político moderado do varguismo, mas o medo maior recaía sobre João Goulart (Jango), ex-Ministro do Trabalho de Vargas, que era detestado pelos empresários e militares conservadores devido às suas ligações estreitas com os sindicatos de esquerda e com a classe operária. A oposição argumentava que essa chapa traria o país de volta à "corrupção" e à "ameaça comunista/sindical" que tanto combateram em 1954.

Questão 4: C

Questão 5: A

Questão 6: D

Questão 7: A

Questão 8: D

Questão 9: C

Questão 10: A

Questão 11: B

Questão 12: C

Questão 13: B

Questão 14: C

Plano de Aula da Atividade

Café Filho e a Crise Sucessória (O Golpe Preventivo)

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 9º Ano do Ensino Fundamental e 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF09HI17 (Ensino Fundamental - 9º Ano): Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946 até o golpe civil-militar de 1964, avaliando os dilemas da consolidação da democracia e do populismo.

  • EM13CHS602 (Ensino Médio - 3ª Série): Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os com as lutas em defesa da igualdade e da democracia.

  • EM13CHS603 (Ensino Médio - 3ª Série): Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.).

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Compreender o cenário de tensão política e comoção social após o suicídio de Getúlio Vargas.

  • Analisar a guinada conservadora e a política econômica liberal do governo de transição de Café Filho.

  • Explicar as razões da UDN e de setores militares para tentarem impedir a posse de JK e Jango.

  • Debater o conceito e a legalidade do "Golpe Preventivo" liderado pelo General Henrique Teixeira Lott.

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (De Vargas a Café Filho - O Fim de uma Era): Retomar o contexto final de Vargas. Indagar os alunos: "Quem assumiu a bomba que Vargas deixou armada?". Explicar o governo Café Filho, a nomeação de Gudin e a oposição ao varguismo. Debater com a turma a dificuldade de se fazer uma política econômica contrária ao apelo popular das ruas (referência à Questão 13).

  • Aula 2 (A Crise e a Intervenção Militar Democrática): Analisar as eleições de 1955. Apresentar o problema: o presidente em exercício queria apoiar um golpe contra o presidente eleito. Mostrar a figura do General Lott (Questão 14) e debater o paradoxo de usar forças armadas para defender a eleição. Encerrar mostrando a posse de JK (Questão 15). Aplicação controlada das 15 questões estruturadas, ressaltando aos alunos a leitura atenta de alternativas de tamanhos idênticos.

5. Avaliação

A avaliação formativa observará o desenvolvimento crítico dos estudantes ao discutirem o conceito de "legalidade constitucional" nos debates em sala (como justificar uma ação militar em defesa da urna). A verificação somativa será efetuada por meio da execução correta do banco de questões (objetivas rigorosas e discursivas apoiadas em análise de imagem), avaliando o domínio completo do processo de sucessão de 1954 a 1956.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História