Trabalhe um dos períodos mais emblemáticos da ditadura militar com esta excelente Atividade de História sobre o Governo Emílio Garrastazu Médici (1969–1974). O material desafia os alunos a analisarem criticamente o contexto do “Milagre Econômico”, o uso massivo da propaganda ufanista, a censura e o endurecimento da repressão política. Baixe o arquivo em PDF, rigorosamente alinhado às competências da BNCC e formatado com layout limpo, pronto para imprimir e aplicar em sala de aula com o Ensino Fundamental ou Médio. Para otimizar o seu planejamento, a estrutura da atividade vai totalmente em branco para o preenchimento dos estudantes, contando com um gabarito completo separado no final da página. Garanta um recurso prático e de alta qualidade pedagógica para promover o pensamento histórico e crítico! Baixe já. Gabarito e Plano de Aula no final da página. 

Governo Médici (1969–1974

O governo de Emílio Garrastazu Médici iniciou-se em outubro de 1969 sob a influência da facção mais radicalizada da caserna. Com o Ato Institucional nº 5 (AI-5) em pleno vigor, o Estado brasileiro transformou-se em uma máquina de combate implacável contra qualquer foco de resistência esquerdista. Para coordenar as operações de caça aos opositores, foram criados os DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), órgãos secretos que uniam o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e as polícias na repressão política. Durante os chamados "Anos de Chumbo", a tortura tornou-se uma política de Estado sistemática e institucionalizada nos porões dos quartéis. Militantes de organizações de guerrilha urbana e rural foram sistematicamente presos, torturados, executados ou transformados em desaparecidos políticos (famoso pelo lema cínico de que "não há presos políticos no Brasil"). O exemplo mais emblemático do massacre da oposição armada foi a destruição da Guerrilha do Araguaia. Paralelamente, a censura prévia calou jornais, revistas, músicas e peças de teatro, forçando centenas de artistas e intelectuais ao exílio.

 O Milagre Econômico

Paradoxalmente ao terror político exercido nos porões, o governo Médici viveu o período de maior apogeu do chamado "Milagre Econômico" (1969-1973). Sob o Ministro da Fazenda Delfim Netto, a economia brasileira cresceu a taxas espetaculares de mais de 10% ao ano. Esse crescimento foi impulsionado por volumosos empréstimos externos, controle rigoroso de salários e pesados investimentos estatais em grandes obras de infraestrutura, como a construção da rodovia Transamazônica, a Ponte Rio-Niterói e a Hidrelétrica de Itaipu. Para legitimar o regime frente à opinião pública e abafar as denúncias de violações de direitos humanos, a ditadura investiu em uma gigantesca máquina de propaganda ufanista. O esporte foi utilizado como ferramenta de manipulação ideológica: a conquista da Copa do Mundo de Futebol de 1970 pela seleção brasileira foi amplamente apropriada pelo governo com o slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o". O "milagre" gerou uma monumental concentração de renda ("é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo", dizia Delfim Netto, o que nunca ocorreu) e deixou o país atolado em uma gigantesca dívida externa que explodiria na década seguinte.

1)
Cartaz oficial do governo Médici com o lema ufanista "Brasil, ame-o ou deixe-o" ao lado da bandeira do Brasil:

Analise o slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o" no contexto da propaganda ufanista dos Anos de Chumbo. Explique a mensagem implícita que esse lema transmitia em relação aos cidadãos críticos do regime autoritário.

2)
Fotografia da construção da rodovia Transamazônica marco faraônico de infraestrutura do governo Médici:

O chamado "Milagre Econômico" gerou grandes obras faraônicas de infraestrutura e um crescimento acelerado do PIB. Contudo, historiadores apontam graves contradições sociais nesse modelo. Explique a famosa frase de Delfim Netto ("é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo") e como ela se refletiu na concentração de renda do período.

3)
Julgue as afirmações Verdadeiras (V) e Falsas (F), sobre os impactos socioeconômicos do Milagre Econômico:

(                       ) O PIB brasileiro registrou taxas de crescimento impressionantes superiores a 10% ao ano em vários momentos.
(                       ) A distribuição de renda no país tornou-se a mais igualitária da América Latina durante o mandato de Médici.
(                       ) Grandes obras faraônicas, como a rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói, foram construídas nesse período.
(                       ) A inflação foi completamente extinta e o custo de vida popular permaneceu congelado sem nenhum aumento.

As sequência correta é:

A) V – F – V – F

B) V – F – V – F

C) F – V – F – V

D) V – V – F – F

4)
Imagem conceitual ou memorial dedicado aos desaparecidos políticos e às vítimas da tortura:

O governo Médici foi marcado pelo funcionamento implacável dos órgãos de segurança e pelo uso sistêmico da tortura. Discorra sobre o papel do DOI-CODI no contexto dos Anos de Chumbo e explique por que a ocultação de cadáveres (desaparecidos políticos) tornou-se uma prática deliberada do Estado.

5)
O período do governo do General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) ficou tragicamente conhecido na história do Brasil como os:

A) Anos Dourados da modernização urbana.

B) Anos de Ouro da abertura democrática e parlamentar.

C) Anos de Fogo, marcados pelas greves operárias do ABC Paulista.

D) Anos de Chumbo, devido ao ápice da repressão e da violência de Estado.

6)
Relacione os termos da era Médici às suas descrições corretas:

(A) Anos de Chumbo
(B) DOI-CODI
(C) Milagre Econômico
(D) Brasil, ame-o ou deixe-o

(                       )Slogan ufanista e nacionalista da propaganda oficial do governo militar.
(                       )Período de forte crescimento do PIB impulsionado por empréstimos e arrocho.
(                       )Órgão secreto de repressão e inteligência encarregado de caçar e torturar opositores.
(                       )Apelido dado ao período de maior rigidez repressiva e violência estatal da ditadura.

As sequência correta é:

A) D – A – C – B

B) C – B – D – A

C) A – D – C – B

D) D – C – B – A

7)
Para coordenar de forma centralizada e secreta as operações de captura, interrogatório e eliminação de opositores, o regime criou os órgãos chamados de:

A) Comitês Populares de Defesa da Constituinte Civil.

B) Tribunais Revolucionários de Justiça Popular Autônoma.

C) Frentes de Libertação Nacional e Sindical Operária.

D) DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna).

8)
Durante os Anos de Chumbo, a prática da tortura contra prisioneiros políticos nos porões dos órgãos de segurança do Estado caracterizou-se por ser:

A) Uma atitude isolada de soldados indisciplinados que eram punidos severamente pelos generais.

B) Um recurso temporário utilizado apenas durante os meses da Copa do Mundo de 1970.

C) Uma política de Estado sistemática, institucionalizada e utilizada de forma generalizada.

D) Uma simulação teatral sem danos físicos utilizada para assustar os opositores inexperientes.

9)
A Guerrilha do Araguaia, ocorrida no início da década de 1970 na região amazônica, foi um movimento de resistência armada que terminou com:

A) A tomada pacífica das capitais do Norte por camponeses armados.

B) A assinatura de um acordo de paz que garantiu assentos no congresso aos guerrilheiros.

C) O aniquilamento sistemático e a execução da maioria dos guerrilheiros pelas Forças Armadas.

D) A intervenção da ONU que separou os dois lados em conflito permanente.

10)
Na área econômica, o governo Médici surfou na crista da onda do chamado "Milagre Econômico", administrado pelo ministro:

A) Roberto Campos, criador do PAEG.

B) Delfim Netto, que apostava no crescimento acelerado do PIB.

C) Celso Furtado, criador da SUDENE regional.

D) Fernando Henrique Cardoso, criador do Plano Real.

11)
Para justificar a concentração de renda e o arrocho salarial durante o Milagre Econômico, a equipe econômica do governo Médici utilizava o famoso argumento de que:

A) Era necessário cobrar impostos altíssimos de todas as multinacionais estrangeiras.

B) O dinheiro público deveria ser doado integralmente para as famílias camponesas.

C) A inflação só seria vencida se o salário mínimo fosse dobrado anualmente.

D) Era preciso "fazer o bolo crescer para depois dividi-lo" entre os cidadãos.

12)
A propaganda ufanista do governo Médici utilizou intensamente o esporte e a conquista da Copa do Mundo de 1970 para promover:

A) O boicote aos eventos esportivos internacionais organizados por nações capitalistas.

B) O sentimento nacionalista cego e a associação da imagem da seleção ao sucesso do regime.

C) A exigência de que os atletas brasileiros abandonassem suas equipes profissionais europeias.

D) A coleta de fundos financeiros populares para pagar a dívida externa contraída no exterior.

13)
O famoso slogan político oficial criado e divulgado nos cartazes e rádios durante o governo Médici era:

A) "Ordem e Progresso para um Brasil Livre e Democrático."

B) "O petróleo é nosso e a Amazônia pertence aos trabalhadores."

C) "Brasil, ame-o ou deixe-o."

D) "Diretas Já para salvar a pátria do colapso econômico."

Questão 1:

O slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o" funcionava como uma ameaça velada e direta contra qualquer forma de dissentimento ou crítica política. A mensagem implícita era a de que o patriotismo exigia a submissão cega e incondicional ao governo militar. Quem criticasse a ditadura, denunciasse a tortura ou exigisse democracia não era visto apenas como um opositor político, mas como um inimigo da pátria que, se não estivesse disposto a aceitar o regime sem questionar (amá-lo), deveria ser expulso do país (deixá-lo). Essa retórica legitimava o exílio e a perseguição, polarizando a sociedade entre "bons patriotas" e "traidores".

Questão 2:

A frase de Delfim Netto resumia a lógica econômica de priorizar o crescimento bruto da economia (o "crescimento do bolo") através de subsídios a grandes empresas, arrocho salarial dos operários e atração de capital externo, ignorando deliberadamente a distribuição imediata de renda. A promessa era de que, após o enriquecimento geral do país, a riqueza seria distribuída. Na prática, o "bolo" cresceu expressivamente, mas a fatia destinada aos trabalhadores encolheu proporcionalmente, gerando uma disparidade social abissal: os ricos ficaram muito mais ricos, enquanto o poder de compra do salário mínimo despencou, desmentindo a promessa de divisão futura.

Questão 3: A

Questão 4:

O DOI-CODI funcionava como o braço operacional clandestino e centralizado da repressão, operando fora dos limites da lei para prender, interrogar sob tortura extrema e eliminar fisicamente os opositores armados e militantes de esquerda. A ocultação de cadáveres (transformando prisioneiros em "desaparecidos políticos") foi uma estratégia deliberada e criminosa do Estado para evitar a comoção pública que funerais e corpos com marcas evidentes de tortura causavam na sociedade, além de impedir que as famílias tivessem o direito ao luto. Com isso, a ditadura tentava apagar o rastro de seus crimes e aterrorizar os demais opositores, criando um clima de medo absoluto que paralisava qualquer tentativa de resistência civil organizada.

Questão 5: D

Questão 6: D

Questão 7: D

Questão 8: C

Questão 9: C

Questão 10: B

Questão 11: D

Questão 12: B

Questão 13: C

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: O Governo Médici e os Anos de Chumbo (1969-1974)

1. Identificação

  • Componente Curricular: História.

  • Séries Aplicáveis: 9º Ano do Ensino Fundamental e 3ª Série do Ensino Médio.

  • Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidades BNCC

  • EF09HI19: Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória, à verdade e à justiça (violações de direitos humanos).

  • EM13CHS602: Identificar e caracterizar a presença do autoritarismo na política, na sociedade e na cultura brasileira, relacionando-os com as supressões de liberdades e a tortura de Estado.

  • EM13CHS603: Analisar a formação de experiências políticas aplicando conceitos básicos (repressão, milagre econômico, ufanismo, censura).

3. Objetivos de Aprendizagem

  • Compreender o conceito dos "Anos de Chumbo" e a atuação estruturada dos órgãos de repressão (DOI-CODI).

  • Analisar as contradições do "Milagre Econômico" e a famosa metáfora do "bolo" de Delfim Netto.

  • Explicar o uso da propaganda ufanista e do futebol (Copa de 1970) como instrumentos de manipulação ideológica.

  • Debater criticamente o impacto dos desaparecimentos políticos e o valor imprescritível dos direitos humanos.

4. Encaminhamento Metodológico

  • Aula 1 (O Terror de Estado e os Anos de Chumbo): Iniciar perguntando aos alunos: "Como um governo consegue esconder a violência e a tortura da população?". Explicar a criação do DOI-CODI e a institucionalização do terror. Mostrar a imagem do cartaz "Brasil, ame-o ou deixe-o" (Questão 13) e discutir a eliminação da oposição armada (Guerrilha do Araguaia).

  • Aula 2 (O Milagre Econômico e o Ufanismo da Copa): Apresentar a economia do período. Explicar o crescimento do PIB atrelado ao arrocho salarial e à frase de Delfim Netto (Questão 14). Analisar como a Copa de 1970 foi politizada pelo regime. Debater a tragédia dos desaparecidos políticos (Questão 15). Aplicação supervisionada do simulado de 15 questões estruturadas, exigindo leitura analítica de alternativas idênticas em extensão.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação ativa dos estudantes nos debates sobre a relação entre crescimento econômico e supressão de direitos fundamentais. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução do banco de questões (objetivas equilibradas e discursivas analíticas), avaliando o domínio crítico e conceitual sobre os Anos de Chumbo do governo Médici.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História