A atividade sobre a Revolta dos Farrapos (ou Guerra dos Farroupilha) oferece uma abordagem crítica e estruturada para o estudo de um dos conflitos separatistas mais longos e importantes do Período Regencial brasileiro. Desenvolvido para o Ensino Fundamental e Médio, o material examina as motivações econômicas — como a taxação do charque gaúcho —, as insatisfações políticas com o governo central e o desdobramento militar do movimento liderado por figuras como Bento Gonçalves. Baixe agora! Gabarito no final da página.

Revolta dos Farrapos (Farroupilha)

Durante o Período Regencial, a província de São Pedro do Rio Grande do Sul vivenciava uma insatisfação profunda em relação às políticas tributárias da Corte imperial instalada no Rio de Janeiro. A economia gaúcha apoiava-se na pecuária extensiva e na produção do charque, que servia de alimento básico para as populações urbanas e a mão de obra escravizada no restante do país. Contudo, o governo imperial cobrava taxas alfandegárias elevadas sobre o charque nacional, enquanto o produto vindo dos países platinos (Argentina e Uruguai) entrava no mercado brasileiro com impostos reduzidos. Essa assimetria fiscal revoltou os estancieiras (proprietários de terras e gado) e charqueadores, que acusavam o governo central de arruinar a economia local. Somado a isso, as elites gaúchas exigiam maior autonomia política para a província, a escolha do próprio presidente de província e a redução das taxas sobre a importação de sal (insumo vital para a conservação da carne). Em 20 de setembro de 1835, forças rebeldes comandadas por Bento Gonçalves invadiram Porto Alegre, dando início ao levante armado.

Fim do Conflito

Em setembro de 1836, o general Antônio de Sousa Neto proclamou a República Rio-Grandense (ou República de Piratini). Anos mais tarde, em 1839, a revolta expandiu-se para a província de Santa Catarina, onde David Canabarro e o italiano Giuseppe Garibaldi proclamaram a República Juliana. Na linha de frente farroupilha, destacou-se o corpo dos Lanceiros Negros, formado por escravizados que lutavam em troca da promessa de alforria. A guerra estendeu-se até o Segundo Reinado, desgastando ambos os lados. Em 1842, Dom Pedro II nomeou o Barão de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva) para pacificar a região com uma estratégia que combinava cerco militar e negociação diplomática. Antes do acordo final, ocorreu o trágico Massacre de Porongos (1844), no qual a tropa de Lanceiros Negros foi surpreendida e dizimada. Em 1, de março de 1845, o conflito foi encerrado com a assinatura do Tratado do Ponche Verde, garantindo a anistia aos rebeldes, a incorporação dos oficiais gaúchos ao Exército Imperial, a elevação dos impostos sobre o charque estrangeiro e a libertação dos escravizados sobreviventes que lutaram no exército farroupilha.

1)
Mapa do Sul do Brasil no século XIX:

Explique as principais cláusulas desse acordo e analise por que ele é considerado uma "solução honrosa" para as elites gaúchas.

2)
Gravura ou ilustração histórica retratando os Lanceiros Negros em combate durante a Guerra dos Farroupilha:

A participação da população negra foi um elemento central na dinâmica militar da Guerra dos Farrapos. Discorra sobre o papel dos Lanceiros Negros no conflito e analise o significado histórico do Massacre de Porongos (1844).

3)
A principal causa econômica que motivou os estancieiros gaúchos a se rebelarem contra o governo imperial brasileiro em 1835 foi:

A) O monopólio estatal sobre a exportação do café para os países da Europa.

B) A elevada taxação sobre o charque nacional em relação ao produto platino.

C) A proibição absoluta da pecuária de corte no interior da província do Sul.

D) O bloqueio imperial ao comércio de couro realizado com a Inglaterra.

4)
Gravura ou ilustração histórica retratando os Lanceiros Negros em combate durante a Guerra dos Farroupilha:

Explique os fatores que levaram o movimento de uma insatisfação tributária inicial para a proclamação de uma república separatista no Rio Grande do Sul.

5)
O líder militar e político que comandou as tropas gaúchas na tomada de Porto Alegre em 1835 e presidiu a República Rio-Grandense foi:

A) Barão de Caxias.

B) Giuseppe Garibaldi.

C) Duque de Caxias.

D) Bento Gonçalves.

6)
A expansão da Guerra dos Farroupilha para a província vizinha de Santa Catarina em 1839 resultou na proclamação da:

A) República Bahiense.

B) Confederação do Equador.

C) República Juliana.

D) República de Montevidéu.

7)
O corpo militar Farroupilha formado por escravizados que combateram na promessa de obterem a liberdade no pós-guerra ficou conhecido como:

A) Lanceiros Negros.

B) Dragões da Independência.

C) Guarda Nacional do Sul.

D) Zuavos Bahianos.

8)
O episódio militar de 1844 em que a tropa de negros libertos farroupilhas foi surpreendida e dizimada pelas forças imperiais chamou-se:

A) Combate do Fanfa.

B) Tomada de Laguna.

C) Batalha do Seival.

D) Massacre de Porongos.

9)
O militar nomeado por Dom Pedro II para comandar as forças imperiais e conduzir a pacificação diplomática do Rio Grande do Sul foi o:

A) Marquês de Paranaguá.

B) Barão de Caxias.

C) Conde d'Eu.

D) Marechal Deodoro da Fonseca.

10)
O acordo diplomático assinado em 1845 que pôs fim oficialmente à Guerra dos Farrapos ficou historicamente conhecido como:

A) Paz de Badajós.

B) Tratado de Madri.

C) Paz do Ponche Verde.

D) Convenção de Montevidéu.

11)
Entre as concessões feitas pelo governo imperial aos gaúchos no término do conflito farroupilha destaca-se:

A) A independência total e definitiva do Rio Grande do Sul como país soberano.

B) A taxação de 25% sobre o charque importado da Argentina e do Uruguai.

C) A prisão perpétua de todos os líderes civis e militares do movimento gaúcho.

D) A proibição de gaúchos ingressarem no Exército Imperial brasileiro.

12)
O contexto político nacional em que a Guerra dos Farrapos teve início e desenvolveu grande parte de suas ações foi o:

A) Primeiro Reinado sob o governo direto de Dom Pedro I.

B) Período Joanino de permanência da Corte portuguesa no Brasil.

C) Segundo Reinado consolidado após a Guerra do Paraguai.

D) Período Regencial marcado por instabilidades e revoltas provinciais.

13)
Analise as proposições abaixo referentes às causas e ao desenvolvimento da Revolta dos Farrapos e coloque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:

(                          ) A Revolta dos Farrapos teve como estopim a insatisfação dos pecuaristas gaúchos com os altos impostos sobre o charque nacional.
(                          ) O movimento Farroupilha manteve-se restrito a exigências econômicas, sem nunca proclamar uma república separatista.
(                          ) Os Lanceiros Negros eram tropas formadas por escravizados que lutavam com a promessa de alforria ao término do conflito.
(                          ) A Paz do Ponche Verde anistiou os rebeldes gaúchos e atendeu a diversas reivindicações econômicas da província.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A) V – F – V – V

B) F – F – V – V

C) F – V – F – V

D) V – F – V – F

14)
Relacione os conceitos, líderes e documentos da Revolta dos Farrapos às suas definições corretas:

(A) Bento Gonçalves
(B) Barão de Caxias
(C) Lanceiros Negros
(D) Paz do Ponche Verde

(                              ) Militar imperial responsável por negociar a pacificação da província do Rio Grande do Sul.
(                              ) Principal líder militar gaúcho e presidente da aclamação da República Rio-Grandense.
(                              ) Acordo assinado em 1845 que concedeu anistia aos rebeldes e taxou o charque estrangeiro.
(                              ) Contingente de combatentes negros escravizados que integraram as forças farroupilhas.

A sequência correta de associação é:

A) A – D – B – C

B) B – A – D – C

C) C – B – D – A

D) D – A – C – B

Questão 1:

A Paz do Ponche Verde (1845), negociada pelo Barão de Caxias, encerrou o conflito concedendo importantes vantagens aos Farroupilhas: anistia ampla aos rebeldes, incorporação dos oficiais gaúchos ao Exército Imperial nos mesmos postos, devolução de terras confiscadas, pagamento das dívidas da república rebelde pelo Império e a elevação para 25% na taxa de importação sobre o charque platino. O acordo é considerado uma "solução honrosa" porque o governo imperial, visando consolidar a unidade territorial e proteger as fronteiras do Sul contra instabilidades platinas, preferiu reintegrar e cooptar as elites estancieiras gaúchas concedendo atendimento a quase todas as suas pautas originais, em vez de impor uma punição severa.

Questão 2:

Os Lanceiros Negros constituíram um dos corpos de infantaria e cavalaria mais eficientes das tropas farroupilhas, formados por escravizados cooptados sob a promessa de libertação ao fim da guerra. Sua atuação foi decisiva em diversos confrontos militares. Contudo, a presença de tropas negras armadas gerava apreensão tanto no governo imperial quanto nas próprias elites gaúchas escravocratas. O Massacre de Porongos em 1844 — no qual o contingente de Lanceiros Negros foi desarmado e surpreendido por tropas imperiais sob circunstâncias controversas de traição — refletiu o receio das elites em cumprir a promessa de alforria plena e o temor do abolicionismo armado em um país majoritariamente escravista.

Questão 3: B

Questão 4:

A Guerra dos Farrapos começou em 1835 motivada por insatisfações econômicas dos estancieiros contra a pesada tributação do charque e pela exigência de maior autonomia provincial frente ao centralismo do governo regencial. A transição para o separatismo republicano consolidou-se em 1836, após a vitória na Batalha do Seival e a Proclamação da República Rio-Grandense por Antônio de Sousa Neto. Esse desdobramento ocorreu devido à irredutibilidade da Corte do Rio de Janeiro em atender às demandas locais e pela influência do ideal republicano e federalista que circulava na região platina, levando as elites gaúchas a buscarem a ruptura política como forma de garantir sua soberania econômica e administrativa.

Questão 5: D

Questão 6: C

Questão 7: A

Questão 8: D

Questão 9: B

Questão 10: C

Questão 11: B

Questão 12: D

Questão 13: A

Questão 14: B

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Revolta dos Farrapos (1835-1845)

1. Identificação

Componente Curricular: História do Brasil.

Série Aplicada: 8º Ano do Ensino Fundamental.

Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidade BNCC Validada (8º Ano)

EF08HI16: Identificar e analisar os processos de reorganização do poder nas províncias brasileiras no Período Regencial e no início do Segundo Reinado, analisando as revoltas provinciais (com ênfase na Revolta dos Farrapos) e suas motivações políticas e econômicas.

3. Objetivos de Aprendizagem

Compreender as causas econômicas da Guerra dos Farrapos, relacionando a produção do charque às tarifas alfandegárias imperiais.

Analisar as experiências republicanas do Sul (República Rio-Grandense e República Juliana).

Examinar a participação dos escravizados no conflito (Lanceiros Negros) e a contradição da escravidão no movimento farroupilha.

Avaliar os termos do Tratado do Ponche Verde e a estratégia de pacificação promovida pelo Barão de Caxias.

4. Encaminhamento Metodológico

Aula 1 (Causas Econômicas e a Expansão Republicana): Iniciar problematizando o conceito de "herói" e as memórias da Revolução Farroupilha no Sul do país. Apresentar o cenário econômico do charque e o conflito entre o federalismo provincial e o centralismo imperial (Questão 13). Explicar a proclamação da República Rio-Grandense e a expansão para Santa Catarina com Garibaldi.

Aula 2 (Lanceiros Negros, Porongos e a Paz do Ponche Verde): Discutir o papel das populações subalternas e dos Lanceiros Negros, analisando o Massacre de Porongos (Questão 14). Mudar o foco para a estratégia do Barão de Caxias e os termos negociados no Ponche Verde (Questão 15). Aplicação supervisionada do simulado com as questões objetivas e de verdadeiro ou falso, promovendo o raciocínio crítico dos alunos.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação oral dos estudantes nas discussões sobre os limites da cidadania e da liberdade no Brasil Imperial. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução do banco de questões (objetivas equilibradas, itens de V/F com parênteses e discursivas analíticas), aferindo a assimilação dos conteúdos históricos sobre a Guerra dos Farrapos.

Produzido por:

Gustavo Henrique Farias

Bacharelado e Licenciatura em História