A atividade sobre a Confederação do Equador (1824) oferece uma análise detalhada e crítica de um dos principais movimentos separatistas e republicanos ocorridos durante o Primeiro Reinado brasileiro. Desenvolvido para o Ensino Fundamental e Médio, o material aborda a insatisfação das províncias nordestinas — lideradas por Pernambuco — contra o autoritarismo e a centralização do poder exercidos pelo imperador Dom Pedro I após a outorga da Constituição de 1824. Integre este material de excelência ao seu planejamento escolar para enriquecer aulas de história, revisões e avaliações diagnósticas sobre o Primeiro Reinado.

A Confederação do Equador 

A independência do Brasil (1822) não significou a pacificação política do país. No Nordeste, especialmente em Pernambuco — berço da Revolução de 1817 —, crescia a insatisfação com a política centralizadora adotada pela Corte instalada no Rio de Janeiro. A situação agravou-se em novembro de 1823, quando o imperador Dom Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte e, em março de 1824, outorgou uma Constituição autoritária, impondo o Poder Moderador e reservando-se o direito de nomear os presidentes das províncias. O estopim em Pernambuco ocorreu quando Dom Pedro I recusou-se a aceitar o nome escolhido pelas elites locais para governar a província, nomeando um aliado da Corte (Francisco Pais Barreto). Em resposta, a junta governativa pernambucana, liderada por Manuel de Carvalho Pais de Andrade, rebelou-se contra a arbitrariedade imperial. Em 2 de julho de 1824, foi proclamada formalmente a Confederação do Equador, um movimento republicano, liberal e federalista que buscava unir as províncias do Nordeste em uma nova nação soberana.

Repressão e Fim do Conflito

A Confederação do Equador rapidamente ganhou a adesão de províncias vizinhas, como o Ceará, a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Entre seus principais ideólogos destacou-se o frei carmelita Joaquim do Amor Divino Rabelo (Frei Caneca), que utilizou o jornal Typhis Pernambucano para denunciar o absolutismo de Dom Pedro I e defender a autonomia provincial e as liberdades civis. Os confederados adotaram temporariamente a Constituição da Colômbia como modelo de organização federativa. Contudo, o movimento enfrentou fragilidades internas. Quando lideranças populares e intelectuais radicais (como Frei Caneca) começaram a propor pautas sociais mais amplas, como a discussão sobre a abolição da escravidão, as elites latifundiárias locais recuaram, temendo uma revolta social semelhante à do Haiti. Aproveitando-se dessa divisão, Dom Pedro I reagiu com extremaz violência: contratou empréstimos com a Inglaterra e tropas mercenárias estrangeiras (lideradas por Lord Cochrane e Thomas Taylor) para cercar os rebeldes por mar e terra. Em poucas semanas, Recife e os focos de resistência no interior foram derrotados. Frei Caneca e outros líderes foram julgados, condenados por traição e executados por fuzilamento em 1825.

1)
Ilustração retratando Frei Caneca diante do carrasco antes de seu fuzilamento no Recife em 1825:Frei Caneca foi uma das figuras centrais da Confederação do Equador. Explique o papel desempenhado por ele no movimento e analise o impacto de sua execução para a sustentação política do Primeiro Reinado de Dom Pedro I.
2)
Iconografia da época mostrando a ação de tropas mercenárias e da esquadra comandada por Lord Cochrane cercado a cidade do Recife em 1824: ara reprimir a Confederação do Equador, o governo central imperial recorreu a estratégias militares e financeiras extraordinárias. Descreva os meios utilizados por Dom Pedro I para sufocar o movimento e explique a relação entre a repressão e a dependência financeira do Brasil em relação à Inglaterra.
3)
A principal causa política que motivou a eclosão da Confederação do Equador em Pernambuco em 1824 foi:

A) A invasão de tropas platinas nas províncias do Nordeste com o apoio da Inglaterra.

B) O retorno imediato do Brasil à condição de colônia subordinada a Portugal.

C) A decretação da abolição da escravidão sem a indenização aos grandes proprietários de terras.

D) A outorga da Constituição de 1824 e o autoritarismo de Dom Pedro I ao impor presidentes provinciais.

4)
Mapa político da América do Sul em 1824 destacando a área projetada da Confederação do Equador: A Confederação do Equador pretendia organizar um novo Estado na América do Sul. Explique os motivos que levaram esse movimento a propor uma estrutura republicana e federativa e identifique as causas da sua fragmentação interna.
5)
O principal jornal utilizado por Frei Caneca para criticar o absolutismo imperial e divulgar os ideais da Confederação do Equador chamava-se:

A) A Aurora Fluminense.

B) Typhis Pernambucano.

C) Gazeta do Rio de Janeiro.

D) Diário de Pernambuco.

6)
A Confederação do Equador buscou formar uma república federativa unindo Pernambuco a quais províncias vizinhas?

A) Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

B) Maranhão, Piauí e Grão-Pará.

C) São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

D) Bahia, Sergipe e Alagoas.

7)
O intelectual e líder religioso que se tornou o principal símbolo ideológico da Confederação do Equador e foi executado por fuzilamento foi:

A) Padre Feijó.

B) Frei Caneca.

C) Cipriano Barata.

D) Bento Gonçalves.

8)
O modelo constitucional estrangeiro adotado temporariamente pelos líderes da Confederação do Equador para nortear o novo Estado republicano foi a Constituição da:

A) Colômbia.

B) França revolucionária.

C) Argentina.

D) Espanha.

9)
A reação do governo de Dom Pedro I para sufocar a Confederação do Equador no Nordeste caracterizou-se por:

A) Conocar uma nova Assembleia Nacional Constituinte para reescrever a Constituição.

B) Transferir a sede da capital imperial do Rio de Janeiro para Salvador.

C) Aceitar as exigências dos rebeldes e conceder autonomia irrestrita a Pernambuco.

D) Contratar mercenários estrangeiros e empréstimos ingleses para reprimir violentamente o movimento.

10)
O recuo das elites latifundiárias nordestinas em relação ao apoio inicial dado à Confederação do Equador deu-se principalmente pelo temor de:

A) Sofrerem sanções econômicas imediatas impostas pelos Estados Unidos.

B) Radicalização popular e discussões em torno da abolição da escravidão.

C) Ocorrer uma invasão armada de tropas espanholas procedentes de Cuba.

D) Perderem a exclusividade na produção de café para a região Sudeste.

11)
A liderança política pernambucana que assumiu a presidência da junta governativa e proclamou a Confederação do Equador em julho de 1824 foi:

A) Joaquim Nabuco.

B) Barão de Lucena.

C) Bernardo Pereira de Vasconcelos.

D) Manuel de Carvalho Pais de Andrade.

12)
O instrumento constitucional outorgado por Dom Pedro I em 1824 que concedia poderes quase absolutos ao imperador e gerou forte oposição no Nordeste chamava-se:

A) Poder Moderador.

B) Conselho de Estado Geral.

C) Ato Adicional de 1834.

D) Parlamentarismo às Avessas.

13)
Analise as proposições abaixo referentes às causas e ao ideário da Confederação do Equador e coloque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:

(                                  ) A outorga da Constituição de 1824 por Dom Pedro I intensificou as insatisfações das elites liberais do Nordeste.
(                                  ) A Confederação do Equador defendia a manutenção da monarquia centralizada sob o domínio da dinastia de Bragança.
(                                  ) Frei Caneca utilizou a imprensa para combater o centralismo imperial e defender a causa republicana e federalista.
(                                  ) O movimento pretendia criar uma nova república reunindo províncias do Nordeste sob um sistema federativo.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A) V – F – V – F

B) F – V – F – V

C) V – F – V – V

D) F – F – V – V

14)
Relacione os conceitos, líderes e elementos da Confederação do Equador às suas definições corretas:

(A) Frei Caneca
(B) Poder Moderador
(C) Manuel de Carvalho
(D) Typhis Pernambucano

(                                   ) Mecanismo constitucional de 1824 que garantia a supremacia do imperador sobre os demais poderes.
(                                   ) Religioso carmelita, jornalista e principal mentor ideológico e martir do movimento confederado.
(                                   ) Jornal de oposição criado por Frei Caneca para difundir ideias republicanas e federalistas.
(                                   ) Presidente da junta governativa de Pernambuco que proclamou a Confederação do Equador.

A sequência correta de associação é:

A) D – A – C – B

B) C – B – D – A

C) A – D – B – C

D) B – A – D – C

Questão 1:

Frei Caneca (Joaquim do Amor Divino Rabelo) atuou como o principal ideólogo e difusor dos ideais da Confederação do Equador. Através de seus escritos no jornal Typhis Pernambucano, combateu abertamente o absolutismo de Dom Pedro I, a outorga da Constituição de 1824 e o Poder Moderador, defendendo a construção de uma república federativa e autônoma para as províncias do Nordeste. Sua prisão e subsequente execução por fuzilamento em 1825 (devido à recusa dos carrascos em enforcá-lo por seu caráter sagrado) transformaram-no em um mártir da causa republicana e liberal. O episódio provocou um profundo desgaste na imagem pública de Dom Pedro I, alimentando acusações de tirania e fragilizando a base de apoio político do imperador, fator que contribuiria para sua abdicação em 1831.

Questão 2:

Para esmagar a Confederação do Equador, Dom Pedro I utilizou uma estratégia de cerco duplo (terrestre e marítimo) extremamente violenta. Como o Exército Imperial ainda estava em formação, o governo recorreu ao financiamento de mercenários estrangeiros e contratou comandantes navais britânicos, como Lord Cochrane e Thomas Taylor, para bloquear o porto do Recife e bombardear os focos rebeldes. Para arcar com os custos dessa operação militar contra a própria população, o Império brasileiro recorreu a empréstimos vultosos com bancos ingleses. Essa medida garantiu a manutenção da unidade territorial sob a autoridade da Corte, mas aumentou drasticamente a dívida externa do país e a dependência econômica do Brasil em relação ao Reino Unido.

Questão 3: D

Questão 4:

Os líderes da Confederação do Equador propunham um modelo republicano e federativo em oposição direta ao modelo imperial centralizador do Rio de Janeiro. Inspirados no federalismo norte-americano e na Constituição da Colômbia, defendiam que cada província deveria ter autonomia para eleger seus governantes e gerir suas finanças. Contudo, o movimento fragmentou-se internamente devido às divergências sociais entre suas bases: enquanto as elites latifundiárias queriam apenas autonomia política sem alterar a ordem socioeconômica, setores populares e intelectuais radicais propunham a ampliação da participação política e debatiam o fim da escravidão. O receio das elites agrárias de verem suas propriedades e escravizados ameaçados por uma revolução popular fez com que retirassem o apoio ao movimento, facilitando a vitória das forças imperiais.

Questão 5: B

Questão 6: A

Questão 7: B

Questão 8: A

Questão 9: D

Questão 10: B

Questão 11: D

Questão 12: A

Questão 13: C

Questão 14: D

Plano de Aula da Atividade

Plano de Aula: A Confederação do Equador (1824)

1. Identificação

Componente Curricular: História do Brasil.

Série Aplicada: 8º Ano do Ensino Fundamental.

Duração: 2 aulas (50 minutos cada).

2. Habilidade BNCC Validada (8º Ano)

EF08HI15: Discutir o processo de construção do Estado nacional brasileiro no Primeiro Reinado, seus conflitos e contradições, com ênfase na análise da Constituição de 1824 e movimentos de contestação política, como a Confederação do Equador.

3. Objetivos de Aprendizagem

Compreender as causas da Confederação do Equador, relacionando-as ao autoritarismo da Constituição de 1824 e ao Poder Moderador.

Analisar as propostas republicanas e federalistas defendidas por Frei Caneca e Manuel de Carvalho.

Identificar os fatores que levaram à derrota do movimento, incluindo a divisão interna das elites e a repressão militar imperial.

Avaliar o impacto da Confederação do Equador na consolidação da oposição ao governo de Dom Pedro I.

4. Encaminhamento Metodológico

Aula 1 (O Autoritarismo Imperial e a Proclamação da Confederação): Iniciar apresentando trechos da Constituição de 1824 que tratam do Poder Moderador. Problematizar a reação do Nordeste à imposição dos presidentes de província pelo Rio de Janeiro. Analisar o papel do jornal Typhis Pernambucano e os ideais republicanos de Frei Caneca (Questão 13). Explicar a formação da Confederação unindo as províncias nordestinas (Questão 14).

Aula 2 (Contradições Internas, Repressão e Legado): Discutir os fatores que levaram ao enfraquecimento do movimento, como a questão da escravidão e o medo das elites latifundiárias. Mudar o foco para a atuação dos mercenários ingleses e os empréstimos tomados por Dom Pedro I para sufocar Recife (Questão 15). Aplicação supervisionada do simulado com as questões objetivas e de verdadeiro ou falso, promovendo o raciocínio crítico dos alunos.

5. Avaliação

A avaliação formativa consistirá na participação ativa dos estudantes nas discussões sobre centralismo versus federalismo na história brasileira. A avaliação somativa será efetuada por meio da resolução do banco de questões (objetivas equilibradas, itens de V/F com parênteses e discursivas analíticas), aferindo a assimilação dos conteúdos históricos sobre a Confederação do Equador.

Produzido por:

Enzo Gabriel

Bacharelado e Licenciatura em Geografia